quarta-feira, 31 de maio de 2017

70 mil km com ela


70 mil km. Seria possível dar quase 6 voltas na Terra, chegar a 1/6 do caminho daqui até a Lua.

Andando em média a 80 km/h daria 875 horas, equivalentes a 37 dias.

Desde o meu primeiro salário da vida, quando tinha 16 anos comecei a pagar o seu consórcio e cá estamos, muito tempo depois.

É foda ter apego a um objeto, mas como não teria a você que até nome tem?


Foram 70 mil km fodas, Josefa! Os melhores, sem dúvida.


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terça-feira, 30 de maio de 2017

Nunca dê o primeiro trago

É difícil expor algo tão delicado. Mas aprendi no Jornalismo que a verdade deve ser dita, e se atingir ao menos uma pessoa, já é o suficiente.

Você que adora dar uns tragos no cigarro na baladinha ou no rolê com os amigos: PARE. Não fume nunca mais. Agora você que é compulsivo e devora cigarro como se fosse ar: NÃO PARE DE FUMAR SEM AJUDA MÉDICA. É sério, ah, isso não é daqueles posts chatos do governo federal, mas sim a experiência de um fumante maldito.

Depois de muita coisa e principalmente experiências tristes, resolvi: ADEUS CIGARRO. Realmente, estava forte na batalha. Até que em uma conversa com uns amigos, comecei a passar mal: falta de ar e dor no peito. Tava foda:

- Vou morrer - eu pensei.

Fui parar no Posto de saúde:

- Crise de abstinência severa - o médico afirmou.

Tomei uma caralhada de medicamentos, e em menos de 1 hora minha pressão foi de 18 por 10 para 12 por 8.

Ok, tudo lindo. Cheguei em casa e tudo ficou muito devagar, deitei na cama, ouvi música (já ouviu Topaz? Não? Então ouve), senti uma puta dor de cabeça, pensei que era normal. Adormeci.

Acordei alguns minutos depois com umas pontadas esquisitas no peito. Fui para o quarto do meu pai e ele me levou ao hospital.

Basicamente: tomei muito medicamento na veia e fui orientado a procurar um cardiologista e um psicólogo. As pontadas não tinham nada a ver com o coração, e minha pressão novamente voltou a normal em poucos minutos.

A luta psicológica é pesada. É uma necessidade absurda de enfiar o cigarro na boca. Dependência psicológica e química. Não é uma sensação nada bacana ser vencido por um negócio com menos de cinco centímetros e com cheiro de bosta.

Mas é o que acontece quando você se torna um fumante: você afasta pessoas, decepciona os seus pais, gasta uma fortuna, estraga a sua saúde e seu psicológico fica arrasado.

Já diria Shakeaspeare: "Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você." Um dia fiz a escolha de fumar um ou outro cigarro no rolê, acabei comprando um, dois, 50 maços, e quando menos percebi, estava totalmente viciado. Se pudesse voltar atrás, voltaria.

Mas como não posso, preciso levantar a cabeça e eliminar esse vício. Sei que o processo é lento e doloroso, mas desistir não resolve nada. E você que tá lendo isso agora, não cometa o mesmo erro que eu. Faça um favor para você e para quem te ama: Não fume. E se for um fumante, não tente parar sozinho: procure ajuda.

Espero que você reflita sobre isso.

terça-feira, 23 de maio de 2017

O caminho das pedras: Machu Pichu


Fazia 36 horas que não comíamos nada além de amendoim e barra de cereal. A boca salivava e as tonturas mesclando fome e os efeitos da altitude se tornavam insuportáveis. Aquela viagem que teve um êxtase inexplicável, de um sonho de infância, transformou-se num verdadeiro inferno. Juan estava mais branco que neve e enojado. Não estava disposto a comer. Aquilo em paralelo a um encontro inacreditável do destino há alguns dias: um taxista em Corumbá, na divisa com a Bolívia, era tio de uma ex-namorada minha e também da ex de Juan.

Encontramos um restaurante extremamente humilde e precário, assim como tudo na Bolívia. A comida parecia mofada e absurdamente estranha. Tudo é frango e macarrão naquele país. Uma mistura de óleo e alguma coisa, praticamente intragável.

- Você precisa comer, mano. Não tem outro jeito.

- Não dá. Eu não consigo – respondeu.

Tudo começou com uma ideia baseada no livro “Campo das Estrelas”, que descobri que o autor faleceu em 2001. Fiquei triste, afinal, ele que motivou a viagem mais marcante da minha vida.  Chegando em Corumbá, tivemos a única noite decente da viagem, comemos igual pedreiros depois do expediente e dormimos bem.

Juan estava cheio de energia e queria atravessar até a fronteira a pé. Quando o convenci que precisamos de táxi, porque andar mais de 30 km em uma cidade desconhecida e longe da lei não era boa ideia. Voltamos com a bolsa com cerca de 20 kgs, o Sol escaldante até chegar ao aeroporto. Tinha cerca de 10 pessoas lá. Dois táxis chegaram, e eles pularam para dentro do veículo, como loucos.

Conversei com a faxineira e ela trouxe a solução: um cartão. Não tínhamos crédito, o dinheiro era contado, e tudo estava planejado na ponta do lápis com pesos bolivianos e dólares. Ela ligou para um taxista ímpar. Quando ele chegou, um rapaz forte, cerca de 45 anos:

- De onde vocês são, guris?

- Somos de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Vamos rumo a Machu Pichu.

- Ah, que legal – acendeu um cigarro. – Tenho um parente em Pirapozinho, do lado de Prudente. Meu irmão tinha um puteiro lá, é o único, vocês devem conhecer.

Juan me olhou abismado. Ele era tio da minha ex-namorada, e curiosamente, Juan tinha namorado a irmã dela. Explicamos que somos de Pirapó na verdade, e que ele tinha sido “nosso tio” mesmo sem saber. O sorriso foi de orelha a orelha. Era bom encontrar um “quase conhecido” no fim do mundo. O taxímetro acusou R$ 50,00 e ele cobrou apenas R$ 20,00. A sorte parecia estar ao nosso lado.

Mas era apenas impressão. As viagens de trem são estranhas. Balança como uma rede. E o povo boliviano te olha assustado, com cara de poucos amigos. Suas roupas são imundas e a pele calejada pelo Sol e o tempo. A todo momento, eu pensava que seria assaltado. Junto com Juan, tínhamos cerca de R$ 3 mil reais em dinheiro vivo, espalhado por nossas bolsas. O que faríamos se esse dinheiro fosse roubado?

Enquanto pensava exatamente nisso, olhava em Juan e sabia que no final ele tinha o mesmo medo. Um rapaz entrou correndo no trem, com os braços cheios de doce. Olhou diretamente no meu olho, se aproximou. Vestia uma roupa maltrapilha e tinha poucos dentes. Falou alguma coisa, mais parecido com um grunhido e me ofereceu um pacote de algo parecido com paçoca.

- Beleza – respondi. Abri a carteira, e burramente tinha mais de 500 pesos bolivianos ali, ao lado de outras centenas de dólares. Dei 50 pesos.

Ele sorriu e saiu correndo. Olhei para Juan, que murmurou:

- Fodeu.

Aquela figura estranha voltou pela porta, tinha notado a sua presença, mas resolvi fingir que não. Pegou no meu ombro, olhei de soslaio, me cagando de medo. Ele devolveu o troco.

Foi em um trem que vi a versão extrema de Juan. Logo ele que tinha começado a viagem com todo o gás. Não aguentava sequer se alimentar.  E foi em Cocha Bamba, que tivemos os sentimentos mais extremos. Depois de praticamente obrigar Juan a comer, e ver ele passando mal, pegamos um táxi.

Dois bolivianos com cerca de 1,60 m, bem diferente da média da população, que não passava de 1,60 m, muito parecidos com o “Ursão” do Pica Pau. O taxista levou a gente para uma favela, com muitos destroços. Conversavam em uma língua que não parecia sequer espanhol. Olhavam para o retrovisor e davam risada.

- Agora que vamos morrer – pensei.

Mas no final, não aconteceu nada demais. Talvez estivessem de porre ou algo do tipo. Pegamos o trem e vimos o primeiro penhasco. A noite já beijava o ar montanhoso, e vimos uma coisa quase divina. O luar batia nos carros, que brilhavam feito piscas-piscas, numa mistura de cores difícil de explicar.

Quando se assiste jogos de futebol na televisão, é até engraçado olhar atletas de alto nível reclamando da altitude. Mas em Santa Cruz colocamos isso a prova. Era 3 da manhã, e quando me deitei, não conseguia puxar o ar. O peito parecia estourado. Naquele momento dei graças a deus de nunca ter colocado um cigarro na boca. É impossível dormir.

Mas tudo isso tinha que ser recompensado. E foi.

Ao chegar a Machu Pichu, a entrada é parecida com um parque de diversões. Avista-se logo de cara os paredões judiados pelo tempo. Um caminho rodeado de árvores, a montanha com ar mais puro que se pode respirar. As muralhas mais místicas da América Latina trazem uma paz de espírito inexplicável.

Aqueles 13 dias infernais de viagem valeram cada minuto. A sensação é de outro mundo. Ficamos duas horas ali, mas foram as duas horas mais marcantes da minha vida. Todos os dias antes de dormir, lembro-me de como foi chegar a Machu Pichu, e acima de tudo como a viagem foi difícil, mas é impossível realizar algo sem sangrar.


História inspirada na viagem de Cristian Perrud e Juan Luiz. 


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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Análise da minha geração

A primeira menina que eu fiquei sério tá indo para o terceiro filho. Ex-colegas de sala estão noivos, casados, trabalhando há cinco anos na mesma empresa, comprando casa/terreno.

Já eu: quando chega no meio da semana, a minha boca saliva só de pensar com o tanto de cachaça que vou tomar no fds.

A pergunta que fica no ar é: as pessoas estão ficando adultas rápido demais ou eu que sou um adolescente velho?


Abra um pouco mais a mente!

E se?


domingo, 21 de maio de 2017

E se?

A vida é feita de escolhas, e essas escolhas fazem o que você. Simples assim. Mas nada simplório. Para tomar qualquer decisão envolve muita coisa: pensamentos, e um pesar na balança.

Lembro que em um passado não tão distante, eu era um cara cheio de sonhos. Fui me deixando no piloto automático, como se apenas sobreviver fosse o suficiente. E vejo que, apesar dos pesares sou tão jovem. Mas tão velho ao mesmo tempo.

Na altura dos meus 23 anos, deixo de fazer muitas coisas por medo. E o medo só serve para emperrar a vida. Opiniões e decisões feitas de puro e ignorante orgulho. Orgulho de não errar, tentar ser sempre bom. Mas isso não é totalmente possível.

Cansa tentar sorrir quando tudo tá uma verdadeira merda. Mas acredito que essa é uma forma de não transformar quem está no meu entorno no que fica aprisionado no meu eu. Tento ser uma pessoa boa e fazer bem para quem está perto de mim. Mesmo que por dentro esteja tudo tão bagunçado.

Queria transformar tudo o que importa no hoje. A vida é tão cheia de magia, com coisas inusitadas que se transformam no eterno. Queria parar de sentir medo e de pensar tanto. Sentir mais é preciso. Antes que eu vire um velho rancoroso e cheio de remorsos.



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sábado, 20 de maio de 2017

Não tem volta

“Se você mistura o purê e o molho. Não pode separá-los. É para sempre. A fumaça sai do cigarro do papai, mas nunca volta a entrar. Não podemos voltar. Por isso é tão difícil fazer escolhas. É preciso fazer a escolha certa. Enquanto não se escolhe, tudo permanece possível.”

- Mr. Nobody

sábado, 13 de maio de 2017

Deixa o fanatismo pro futebol

Odeio falar de política. Odeio por causa do fanatismo envolvido. Fanatismo pode ser aplicado em paixões de válvula de escape, como é no futebol.

Porra. Eu quero o Rodriguinho e o Jô na seleção. Mas isso não vai influenciar em nada no futuro do país.

No face vejo indiretas e diretas. Uns defendendo a esquerda, outros a direita como se fosse um time de futebol.

Enquanto isso, petistas e tucanos estão enchendo os bolsos e eu e você vamos trabalhar até calejar.

Política tem que ser algo que ajude os patrões a progredir com sua empresa e não foder o cidadão, tendo ações que ajudem todos a ter uma vida digna.

Enquanto você só pensa na sua classe, os ideais se tornam praticamente nulos. Se não for o empresário, você não leva o arroz pra casa. E se não for o trabalhador, a empresa simplesmente não anda.

Deixa o fanatismo pro futebol. Por favor.


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Tudo termina em cinzas

Transbordar

Retrovisor

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Tudo termina em cinzas

Subi os 12 andares com uma decisão, tinha certeza que aquilo era o melhor a se fazer. Ainda mais pelas circunstâncias que se mostraram favoráveis a isso. Eu não acreditava que a vida tomaria esse rumo. Confesso que preferia que não fosse assim. Na verdade, achei que o caminho seria mais próspero, verdadeiro e intenso.

Mas não foi.

Ao chegar ao terraço do prédio, passei as mãos no reboco áspero daquela construção mal acabada. Do alto, enxerguei toda a cidade, milhares de pessoas levando sua vidinha vazia e sem sentido. Andei em direção ao centro do terraço, o vento sussurrava em meu ouvido. Uma voz que não ouvia há muito, tomou conta da minha cabeça.

- Tem certeza?

Não respondi. Mas sim, eu tinha. Sentei, acendi um cigarro, o gosto amargo tomou conta da minha boca, me lembrei de muita coisa. Bons momentos. Mas aquilo não superava o que tinha acontecido. Mas sabia que era o final. O último capítulo. Abri minha bolsa e puxei um caderno, um lápis e uma caixa.

Desenhei aquele sorriso melancólico que por um tempo foi a razão de acordar. Lembrei daquele nascer do Sol e da voz nasalada. Abri uma caixa preta de memórias ocultas, coloquei o papel nela e acendi o isqueiro. Fechei a caixa, uma lágrima escorreu:

- Você não quer fazer isso - a voz disse.

- Eu preciso – retruquei.

Fechei os punhos e andei firme até a sacada. Olhei para o chão, quase interminável. Tive tontura, coloquei a caixa na beirada e empurrei. A cada metro que se afastava, eu sentia uma coisa estranha, como se algo fosse arrancado de dentro de mim.  Ao longe, vi a caixa se espatifar.

Senti uma dor no peito, sentei, encostado na parede da sacada. Chorei desesperado, acendi outro cigarro. Bati o dedo para soltar as cinzas, sorri um pouco amargo, aquela noite tinha acabado em cinzas. 


Abra a mente!