domingo, 20 de agosto de 2017

Os Miseráveis - Simplesmente o melhor romance

 “Os Miseráveis”, obra do francês Victor Hugo traz exatamente tudo que um bom livro precisa. Extremamente amarrado, emocionante e cheio de reviravoltas. Mexe com todos os sentidos. Amor impossível entre Marius e Cosette; os erros que arrastaram a vida de Valjean; o amor pela profissão de Javert. E tudo isso contado em um contexto histórico pós-revolução francesa.

É um livro que coloca qualquer outro romance no chinelo. E se você é preguiçoso, tem o musical estrelado pela impecável Anne Hathaway, Hugh Jackman e Russel Crowe, que é muito bom e ganhou “só” três óscares em 2013.

Não perca seu tempo com romances mamão com açúcar. Leia esse livro ou assista o filme. Se for ruim, pode me cobrar. 


Abra a mente um pouco mais!





quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ajuda?

Ontem, comprei um Minister ESTOURA PULMÃO, aquele do filtro vermelho. Fumei uns três e pensei: “Rapaz, esse negócio vai me matar mais rápido que os outros cigarros”. Estava saindo da melhor, após comprar um cigarro menos assassino e fui abordado por um mendigo:

- Amigo, pode me dar um cigarro? Hoje tá frio...

Enquanto fumava um Lucky Strike, peguei o maço de Minister assassino e dei para ele. Ele sorriu e disse:

- Você é um menino de coração bom. Fica com Deus.

Acho que não fiz o certo. Só acho.


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Carma de Valjean

“- Jean Valjean!

Os cabelos se arrepiaram, como se ouvisse uma voz vinda do túmulo.


- Sim, destrua tudo! Esqueça o bispo. Deixe o homem ser condenado. Continue a ser prefeito, enriqueça a cidade, alimente os pobres, viva feliz. Mas, enquanto estiver sendo admirado pela sua virtude, haverá alguém sendo chamado pelo seu nome, na prisão, com a corrente que você deveria carregar nos pés!”


Victor Hugo
Livro: Os Miseráveis


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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sorriso amargo

Chega um momento na vida que você tem a certeza que as pessoas não se importam com as outras. É um pouco broxante viver em um mundo totalmente individual e sem consideração com o que você é.

As pessoas são decepcionantes. Cada uma que você vai além das conversas superficiais, você percebe que é igual a grande maioria. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não são lá tão agradáveis.

É triste. Mas talvez seja a grande chance de fazer diferença. Se abater por causa da reação dos outros não é a melhor maneira de encarar a vida. Pelo contrário, assim como disse Rocky Balboa, importa o quanto você aguenta apanhar. E sempre que apanhar, você deve levantar com o sorriso no rosto, independente de tudo.

Sorriso amargo. Mas o que importa é o que as pessoas veem em você, e não o que você sente. Porque ninguém se importa.  Essa é verdade, goste você ou não.


Continue abrindo a mente!



Nostalgia do primeiro emprego

Por quase dois anos subi essas escadarias para encarar mais um dia de trabalho. É uma mescla de saudade dos amigos conquistados com um choque de realidade: já faz oito anos e parece que foi ontem que comecei a trabalhar.



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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Você ainda tem 218 mil oportunidades em 2017

Enquanto ouvia um álbum antigo de Linkin Park, vi um link no grupo de Skype da agência que Chester havia sido encontrado morto. Fiquei sem reação, e por acaso hoje acendi um cigarro amargo em sua homenagem. Ainda por obra do acaso procurei o que tinha acontecido no dia 01 de agosto, e curiosamente foi a inauguração da MTV – canal que acompanhava os clipes mais intrigantes de Linkin Park, com sucessos como In The End, Crawling e One Step Closer. Parei para pensar em tudo que o vício pode ocasionar. Olhei para aquele papel enrolado em substâncias tóxicas e pensei: Vale a pena?




01 de agosto de 2017

Uma data comum para qualquer pessoa. Para quem acompanha futebol, é aniversário de Bastian Schweinsteiger, um dos grandes vilões do eterno 7 a 1, para os historiadores, é lembrada a morte de Luís VI de França, e para os saudosistas, foi a inauguração oficial da MTV  lá em 1981.

MTV lembra a minha adolescência e como acompanhava os clipes de Linkin Park e a eloquência de Chester Bennington, que infelizmente faleceu há alguns dias. Foi pensando em Chester que acendi um cigarro amargo, de madrugada enquanto assistia Mad Men,  olhei para o horizonte negro e pensei em tanta burrada que fiz na vida.

Estou afastado do trabalho há alguns dias. Sinto falta de toda as ideias que vinham como rajada em minha mente, e transformá-las em algo concreto. Mas depois de tanta coisa que aconteceu nos últimos dias, eu tive uma certeza: eu quero viver pelo menos mais uns 30 anos.

Adoro a vida. Adoro acordar todos os dias e ter a certeza que posso fazer coisas boas. Sinceramente, não me importo como as pessoas vão reagir. Diz um velho ditado que “você deve tratar as pessoas que são boas com amor porque elas merecem, e as ruins porque elas precisam”. Então, encaro cada dia com a satisfação de dar o meu melhor em tudo que faço, e isso inclui tratar as pessoas bem.

Aí você me pergunta, o que isso tem a ver com cigarro? Bom, meu avô que faleceu 10 anos antes do meu nascimento era um fumante compulsivo e alcoólatra. E toda vez que meu pai sente o cheiro de cigarro, vejo em seus olhos verdes (que gostaria de ter herdado) uma enorme insatisfação.

Quando muita coisa ruim acontece na sua vida, você percebe que como disse o Coringa: “A loucura é como a gravidade, basta um empurrão”, mas como uma grande amiga disse para mim: “Várias pessoas não vão deixar isso acontecer. E eu sou uma dessas pessoas”. E é pensando nessas pessoas que vejo que viver vale a pena, e muito.

O cigarro é uma verdadeira desgraça. Você acha que está salvando o seu momento de tédio ou hábito, mas na verdade não passa de uma muleta de fraqueza. É apenas um pedaço de papel enrolado em mais de 47 mil substâncias tóxicas para foder com a sua vida.

Escrevi outras vezes que pararia de fumar. Mas nunca acendi um cigarro tão amargo quanto o de hoje. Pode ser que hajam recaídas e que eu queira acender um cigarro ou outro de vez em quando, principalmente quando tomar alguns goles de cerveja.

Mas para quem um dia fumou, sabe que abandonar o hábito diário já é considerado parar de  fumar. E não nunca mais acender o maldito tabaco (RECAÍDAS FAZ PARTE DE TUDO NA VIDA). Sei que sou volátil e posso mudar de opinião. Mas essa decisão é pensada apenas em um poder: o poder de conseguir fazer as pessoas sorrirem. Porque eu quero viver o máximo possível para esse objetivo.

Faltam 152 dias para 2017 acabar. E cada minuto é suficiente de mudar a vida de alguém, então olhe só: temos 218 mil oportunidades de fazer uma pessoa feliz.


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sábado, 24 de junho de 2017

Desvendando os segredos do seu cliente - Análise de Neuromarketing aplicado a Redação Publicitária

“Neuromarketing aplicado a Redação Publicitária” é um livro que promete ajudar você a entrar na cabeça do cliente e concretizar seu principal objetivo: vender. Mas ele consegue ir além disso, com um conteúdo muito didático, trazendo à tona muita coisa que aplicamos no trabalho, mas não sabemos explicar muito bem.

Descartes treme no túmulo quando sua frase “Penso, logo existo” é criticada. Já que desde a humanidade antiga, o emocional sempre agiu primeiro emocionalmente, por questão de sobrevivência. 

Outros pontos importantes: é uma tendência humana lembrar do começo e do fim, sendo assim a dica é sempre abusar desses extremos na peça publicitária. O homem age diferente da mulher na hora da compra, enquanto o sexo feminino está em busca de um Q a mais, o masculino quer praticidade. Seja claro e direto em seu cal to action, se você estiver confuso e com mais de um objetivo, como acha que o leitor vai se sentir?

Todo texto precisa da introdução do assunto, obtendo atenção do leitor. A segunda parte são informações importantes a respeito do produto, contextualizando o leitor. A terceira fase está ligada a aconselhar o leitor. E a quarta fase é fazer com que o leitor aposte na sua marca, desafiando-o ao fazer o que seu anúncio busca: seja compra, interação, etc. 

O livro tem uma dica de ouro em relação a linkabilidade: seja claro, objetivo, e não faça com que o seu leitor sinta-se enganado, analise friamente a página em que está sendo linkada. 

Abaixo, deixei alguns pontos a mais. Lembrando que estão ligados a minha interpretação e o que entendi do livro, com alguns trechos retirados do mesmo:


Call-to-action

Em busca da taxa de conversão, deixe muito claro o que o internauta deve fazer em seu site. Não deixe nenhuma dúvida em relação a isso. Caso contrário, ele se sentirá enganado e o conceito da sua marca no subconsciente fica negativo. Utilize-o no singular. Nunca chame o leitor para duas ações. Tenha uma voz ativa e não deixe dúvidas qual o seu objetivo. “Não seja agressivo, mas também não seja covarde”.


Dopamina

Ao comprar alguma coisa, liberamos dopamina e sentimos uma relação parecida com a saciedade. Esse hormônio deve ser estimulado, atravessando a barreira do subconsciente humano, algo parecido com o que os homens das cavernas faziam para sobrevivência: se eu não comprar isso, estarei perdendo a oportunidade X da minha vida.

“Sabe aquela sua amiga que vê nas lojas do shopping center a solução para os problemas do dia a dia e sempre é taxada de consumista? Na verdade, a neurociência explica que, em geral, os seres humanos, quando estão em um período estressante ou percebem a vida um pouco fora dos eixos, muitas vezes buscam conforto em marcas, objetos e produtos conhecidos, como se voltasse a ter certeza de que algo está funcionando em seu estado perfeito.”


NeurôniosEspelhos

Atores famosos ou pessoas com credibilidade não são utilizadas por acaso nos anúncios. Existe uma busca incessante por estar igual uma pessoa X.  “De acordo com o neuromarketing, um dos segredos para conquistar um bom número de vendas é mostrar ao consumidor o produto ou serviço sendo consumido ou utilizado por alguém”.  Isso vale para imagens e também para o texto, provocando o leitor uma sensação de dúvida: “Já que as pessoas  usam esse produto, por que eu não utilizo?”

Na neurociência isso são chamados de “neurônios espelhos”.


Inimigos na Publicidade

Uma dica interessante é trazer os inimigos do produto. Já que o leitor tem problema e você tem a solução. Abuse da característica do ser humano de sempre buscar solucionar problemas. Mas tome muito cuidado para não utilizar uma linguagem negativa. O ideal é ser sutil.

Exemplo: Omo sempre tem o inimigo sujeira, lembre-se do “Se sujar faz bem”.


Desafie o cérebro

Faça um jogo de palavras, de imagens, mas com cautela. Ninguém vai ficar muito tempo. A ideia é instigar o público, mas não com referências difíceis. Lembre-se do seu público-alvo e como ele reagiria a determinado tom verbal.


Emoção

Abuse do apelo emocional. Tecnicamente o produto anunciado não terá muitas vantagens em relação ao concorrente. O que importa é como o leitor vai se sentir a respeito do produto. “No entanto, é necessário deixar uma informação muito clara: quando você quiser fazer marketing emocional, lembre-se de que sua marca será lembrada pela emoção que causará em seu espectador. Por isso, defina em seu objetivo de marketing qual é o sentimento que você quer causar em seu público. Esse sentimento não será esquecido pelo seu subconsciente.”

“A dica é: aproveite o poder do texto publicitário e presenteie com bons momentos, boas lembranças e boas emoções seus espectadores, para que eles propiciem boas vendas e entrem, de uma vez por todas, para a sua lista de clientes.”


Discurso Quadrifásico

Todo texto precisa da introdução do assunto, obtendo atenção do leitor. A segunda parte são informações importantes a respeito do produto, contextualizando o leitor. A terceira fase está ligada a aconselhar o leitor. E a quarta fase é fazer com que o leitor aposte na sua marca, desafiando-o ao fazer o que seu anúncio busca: seja compra, interação, etc. 

Existe uma tática no xadrez que chama “Xeque Pastor”, você utiliza poucos movimentos em busca do final da partida. Às vezes funciona, mas pode ser uma jogada suicida. Isso vale para a publicidade: alguns anúncios podem dar certo sem seguir os quatro pontos, mas geralmente falham. 


Circuito Fechado

Tenha coerência do início ao fim. Não abra espaço para questionamentos. E tenha apenas um objetivo no anúncio. Nunca tenha mais que um.  


Referências

“O segredo está na fonte infindável de ideias: a vida. Profissionais de publicidade precisam se alimentar de informações constantemente, não importando o assunto abordado.”


Palavra Você

Uma forma simples de aproximar o leitor ao texto, trazendo o sentimento de atenção e o mais importante, exclusividade, diminuindo a distância entre a marca e o leitor.


Para quem interessar, segue o link do livro. Realmente vale mesmo a compra para quem atua na área de Publicidade e Propaganda: Compre Aqui


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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Virei tiozão

- Bora em uma festa em uma república? - um amigo perguntou.

- Tô de boa, hein – respondi.

Em um passado não tão distante, achava um máximo essas festas com bebedeira, loucura e tudo mais. Mas hoje em dia já não vejo mais graça. Acho um verdadeiro desperdício de tempo pisar em vômito alheio, pessoas bêbadas e uma pegação sem sentido.

Outra coisa que já não me atrai são joguinhos em relacionamentos. Como disse Matanza um dia: “Eu não tenho mesmo a menor paciência para isso”. Para mim, quem quer ficar, que fique, quem não quer, tchau. Tem tantas pessoas interessantes por aí, ficar sem prendendo a metades dos outros é no mínimo burrice.

“Mas Reinaldo, você precisa se adequar as regras do jogo”. Acho válida a ideia, principalmente porque um dia Darwin disse com outras palavras que o que vence é aquele que se adapta a porra toda, e não o mais forte. Isso pode até valer para  o sistema capitalista e outras áreas mais racionais da vida. Mas para relacionamentos? Ah, vai toma no cu. Você tem que se relacionar com quem te faz bem e quer estar ao seu lado sempre.

Pensando em tudo isso, só queria saber quando que me tornei um tiozão...


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domingo, 11 de junho de 2017

Conselho sábio de Boleiro

- Não pode ficar em casa. Tem que jogar um futebolzinho, tocar uma punheta e dar um rolê no final de semana - ouvi um rapaz aconselhando outro mais jovem, enquanto jogava bola com o pessoal da minha infância.

Fiquei pensando. Endorfina, Dopamina & Serotonina. Três hormônios essenciais para uma vida equilibrada. O conselho, quase infame, na verdade pode ser um puta manual para dar um UP no humor, e consequentemente nas relações profissionais e pessoais.

E levando em consideração que jovens nunca estão mal, fora que sempre tem aquele brilho no olhar de mudar o mundo. Talvez seja uma dica para lá de sábia. Vale a reflexão.


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quarta-feira, 7 de junho de 2017

A vida tá foda

Sai do trampo, olhei no marcador: tava dando uma volta ao contrário. A moto falhando.

Parei no posto:

- Quanto que vai, parceiro?

Peguei a carteira. Ê carai, esqueci o cartão. Revirei meu bolso. Achei duas moedas de 25 centavos.

- A vida tá foda, hein bixão... 

- Realmente tá, véi – fui obrigado a concordar.


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domingo, 4 de junho de 2017

Te amarei para sempre

Filmes de viagem no tempo me fascinam. Mas The Time Traveler's Wife (Te amarei para sempre – em português) trouxe algo muito mais impactante. Imagine você ter o poder de ir para o passado e o futuro, mas não escolher quando nem onde. Em cima disso, Henry tenta construir um relacionamento com Clayre. E mesmo com todos os ingredientes do fracasso, fazem de tudo para dar certo.

É um filme com encontros e desencontros. Vale ressaltar a atuação fria de Eric Bana (que fez o Heitor no filme Tróia) também é legal ver novamente Ron Livingston, que fez o capitão Nixon em Band of Brothers, em uma atuação discreta, mas muito boa.

Da série de filmes que ninguém conhece, esse sem dúvida segue no TOP5. Vale a pena pensar em como a vida é surpreendente. E mesmo achando que você está sob o controle, nada acontece como planejado.



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quarta-feira, 31 de maio de 2017

70 mil km com ela


70 mil km. Seria possível dar quase 6 voltas na Terra, chegar a 1/6 do caminho daqui até a Lua.

Andando em média a 80 km/h daria 875 horas, equivalentes a 37 dias.

Desde o meu primeiro salário da vida, quando tinha 16 anos comecei a pagar o seu consórcio e cá estamos, muito tempo depois.

É foda ter apego a um objeto, mas como não teria a você que até nome tem?


Foram 70 mil km fodas, Josefa! Os melhores, sem dúvida.


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terça-feira, 30 de maio de 2017

Nunca dê o primeiro trago

É difícil expor algo tão delicado. Mas aprendi no Jornalismo que a verdade deve ser dita, e se atingir ao menos uma pessoa, já é o suficiente.

Você que adora dar uns tragos no cigarro na baladinha ou no rolê com os amigos: PARE. Não fume nunca mais. Agora você que é compulsivo e devora cigarro como se fosse ar: NÃO PARE DE FUMAR SEM AJUDA MÉDICA. É sério, ah, isso não é daqueles posts chatos do governo federal, mas sim a experiência de um fumante maldito.

Depois de muita coisa e principalmente experiências tristes, resolvi: ADEUS CIGARRO. Realmente, estava forte na batalha. Até que em uma conversa com uns amigos, comecei a passar mal: falta de ar e dor no peito. Tava foda:

- Vou morrer - eu pensei.

Fui parar no Posto de saúde:

- Crise de abstinência severa - o médico afirmou.

Tomei uma caralhada de medicamentos, e em menos de 1 hora minha pressão foi de 18 por 10 para 12 por 8.

Ok, tudo lindo. Cheguei em casa e tudo ficou muito devagar, deitei na cama, ouvi música (já ouviu Topaz? Não? Então ouve), senti uma puta dor de cabeça, pensei que era normal. Adormeci.

Acordei alguns minutos depois com umas pontadas esquisitas no peito. Fui para o quarto do meu pai e ele me levou ao hospital.

Basicamente: tomei muito medicamento na veia e fui orientado a procurar um cardiologista e um psicólogo. As pontadas não tinham nada a ver com o coração, e minha pressão novamente voltou a normal em poucos minutos.

A luta psicológica é pesada. É uma necessidade absurda de enfiar o cigarro na boca. Dependência psicológica e química. Não é uma sensação nada bacana ser vencido por um negócio com menos de cinco centímetros e com cheiro de bosta.

Mas é o que acontece quando você se torna um fumante: você afasta pessoas, decepciona os seus pais, gasta uma fortuna, estraga a sua saúde e seu psicológico fica arrasado.

Já diria Shakeaspeare: "Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você." Um dia fiz a escolha de fumar um ou outro cigarro no rolê, acabei comprando um, dois, 50 maços, e quando menos percebi, estava totalmente viciado. Se pudesse voltar atrás, voltaria.

Mas como não posso, preciso levantar a cabeça e eliminar esse vício. Sei que o processo é lento e doloroso, mas desistir não resolve nada. E você que tá lendo isso agora, não cometa o mesmo erro que eu. Faça um favor para você e para quem te ama: Não fume. E se for um fumante, não tente parar sozinho: procure ajuda.

Espero que você reflita sobre isso.

terça-feira, 23 de maio de 2017

O caminho das pedras: Machu Pichu


Fazia 36 horas que não comíamos nada além de amendoim e barra de cereal. A boca salivava e as tonturas mesclando fome e os efeitos da altitude se tornavam insuportáveis. Aquela viagem que teve um êxtase inexplicável, de um sonho de infância, transformou-se num verdadeiro inferno. Juan estava mais branco que neve e enojado. Não estava disposto a comer. Aquilo em paralelo a um encontro inacreditável do destino há alguns dias: um taxista em Corumbá, na divisa com a Bolívia, era tio de uma ex-namorada minha e também da ex de Juan.

Encontramos um restaurante extremamente humilde e precário, assim como tudo na Bolívia. A comida parecia mofada e absurdamente estranha. Tudo é frango e macarrão naquele país. Uma mistura de óleo e alguma coisa, praticamente intragável.

- Você precisa comer, mano. Não tem outro jeito.

- Não dá. Eu não consigo – respondeu.

Tudo começou com uma ideia baseada no livro “Campo das Estrelas”, que descobri que o autor faleceu em 2001. Fiquei triste, afinal, ele que motivou a viagem mais marcante da minha vida.  Chegando em Corumbá, tivemos a única noite decente da viagem, comemos igual pedreiros depois do expediente e dormimos bem.

Juan estava cheio de energia e queria atravessar até a fronteira a pé. Quando o convenci que precisamos de táxi, porque andar mais de 30 km em uma cidade desconhecida e longe da lei não era boa ideia. Voltamos com a bolsa com cerca de 20 kgs, o Sol escaldante até chegar ao aeroporto. Tinha cerca de 10 pessoas lá. Dois táxis chegaram, e eles pularam para dentro do veículo, como loucos.

Conversei com a faxineira e ela trouxe a solução: um cartão. Não tínhamos crédito, o dinheiro era contado, e tudo estava planejado na ponta do lápis com pesos bolivianos e dólares. Ela ligou para um taxista ímpar. Quando ele chegou, um rapaz forte, cerca de 45 anos:

- De onde vocês são, guris?

- Somos de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Vamos rumo a Machu Pichu.

- Ah, que legal – acendeu um cigarro. – Tenho um parente em Pirapozinho, do lado de Prudente. Meu irmão tinha um puteiro lá, é o único, vocês devem conhecer.

Juan me olhou abismado. Ele era tio da minha ex-namorada, e curiosamente, Juan tinha namorado a irmã dela. Explicamos que somos de Pirapó na verdade, e que ele tinha sido “nosso tio” mesmo sem saber. O sorriso foi de orelha a orelha. Era bom encontrar um “quase conhecido” no fim do mundo. O taxímetro acusou R$ 50,00 e ele cobrou apenas R$ 20,00. A sorte parecia estar ao nosso lado.

Mas era apenas impressão. As viagens de trem são estranhas. Balança como uma rede. E o povo boliviano te olha assustado, com cara de poucos amigos. Suas roupas são imundas e a pele calejada pelo Sol e o tempo. A todo momento, eu pensava que seria assaltado. Junto com Juan, tínhamos cerca de R$ 3 mil reais em dinheiro vivo, espalhado por nossas bolsas. O que faríamos se esse dinheiro fosse roubado?

Enquanto pensava exatamente nisso, olhava em Juan e sabia que no final ele tinha o mesmo medo. Um rapaz entrou correndo no trem, com os braços cheios de doce. Olhou diretamente no meu olho, se aproximou. Vestia uma roupa maltrapilha e tinha poucos dentes. Falou alguma coisa, mais parecido com um grunhido e me ofereceu um pacote de algo parecido com paçoca.

- Beleza – respondi. Abri a carteira, e burramente tinha mais de 500 pesos bolivianos ali, ao lado de outras centenas de dólares. Dei 50 pesos.

Ele sorriu e saiu correndo. Olhei para Juan, que murmurou:

- Fodeu.

Aquela figura estranha voltou pela porta, tinha notado a sua presença, mas resolvi fingir que não. Pegou no meu ombro, olhei de soslaio, me cagando de medo. Ele devolveu o troco.

Foi em um trem que vi a versão extrema de Juan. Logo ele que tinha começado a viagem com todo o gás. Não aguentava sequer se alimentar.  E foi em Cocha Bamba, que tivemos os sentimentos mais extremos. Depois de praticamente obrigar Juan a comer, e ver ele passando mal, pegamos um táxi.

Dois bolivianos com cerca de 1,60 m, bem diferente da média da população, que não passava de 1,60 m, muito parecidos com o “Ursão” do Pica Pau. O taxista levou a gente para uma favela, com muitos destroços. Conversavam em uma língua que não parecia sequer espanhol. Olhavam para o retrovisor e davam risada.

- Agora que vamos morrer – pensei.

Mas no final, não aconteceu nada demais. Talvez estivessem de porre ou algo do tipo. Pegamos o trem e vimos o primeiro penhasco. A noite já beijava o ar montanhoso, e vimos uma coisa quase divina. O luar batia nos carros, que brilhavam feito piscas-piscas, numa mistura de cores difícil de explicar.

Quando se assiste jogos de futebol na televisão, é até engraçado olhar atletas de alto nível reclamando da altitude. Mas em Santa Cruz colocamos isso a prova. Era 3 da manhã, e quando me deitei, não conseguia puxar o ar. O peito parecia estourado. Naquele momento dei graças a deus de nunca ter colocado um cigarro na boca. É impossível dormir.

Mas tudo isso tinha que ser recompensado. E foi.

Ao chegar a Machu Pichu, a entrada é parecida com um parque de diversões. Avista-se logo de cara os paredões judiados pelo tempo. Um caminho rodeado de árvores, a montanha com ar mais puro que se pode respirar. As muralhas mais místicas da América Latina trazem uma paz de espírito inexplicável.

Aqueles 13 dias infernais de viagem valeram cada minuto. A sensação é de outro mundo. Ficamos duas horas ali, mas foram as duas horas mais marcantes da minha vida. Todos os dias antes de dormir, lembro-me de como foi chegar a Machu Pichu, e acima de tudo como a viagem foi difícil, mas é impossível realizar algo sem sangrar.


História inspirada na viagem de Cristian Perrud e Juan Luiz. 


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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Análise da minha geração

A primeira menina que eu fiquei sério tá indo para o terceiro filho. Ex-colegas de sala estão noivos, casados, trabalhando há cinco anos na mesma empresa, comprando casa/terreno.

Já eu: quando chega no meio da semana, a minha boca saliva só de pensar com o tanto de cachaça que vou tomar no fds.

A pergunta que fica no ar é: as pessoas estão ficando adultas rápido demais ou eu que sou um adolescente velho?


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E se?


domingo, 21 de maio de 2017

E se?

A vida é feita de escolhas, e essas escolhas fazem o que você. Simples assim. Mas nada simplório. Para tomar qualquer decisão envolve muita coisa: pensamentos, e um pesar na balança.

Lembro que em um passado não tão distante, eu era um cara cheio de sonhos. Fui me deixando no piloto automático, como se apenas sobreviver fosse o suficiente. E vejo que, apesar dos pesares sou tão jovem. Mas tão velho ao mesmo tempo.

Na altura dos meus 23 anos, deixo de fazer muitas coisas por medo. E o medo só serve para emperrar a vida. Opiniões e decisões feitas de puro e ignorante orgulho. Orgulho de não errar, tentar ser sempre bom. Mas isso não é totalmente possível.

Cansa tentar sorrir quando tudo tá uma verdadeira merda. Mas acredito que essa é uma forma de não transformar quem está no meu entorno no que fica aprisionado no meu eu. Tento ser uma pessoa boa e fazer bem para quem está perto de mim. Mesmo que por dentro esteja tudo tão bagunçado.

Queria transformar tudo o que importa no hoje. A vida é tão cheia de magia, com coisas inusitadas que se transformam no eterno. Queria parar de sentir medo e de pensar tanto. Sentir mais é preciso. Antes que eu vire um velho rancoroso e cheio de remorsos.



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sábado, 20 de maio de 2017

Não tem volta

“Se você mistura o purê e o molho. Não pode separá-los. É para sempre. A fumaça sai do cigarro do papai, mas nunca volta a entrar. Não podemos voltar. Por isso é tão difícil fazer escolhas. É preciso fazer a escolha certa. Enquanto não se escolhe, tudo permanece possível.”

- Mr. Nobody

sábado, 13 de maio de 2017

Deixa o fanatismo pro futebol

Odeio falar de política. Odeio por causa do fanatismo envolvido. Fanatismo pode ser aplicado em paixões de válvula de escape, como é no futebol.

Porra. Eu quero o Rodriguinho e o Jô na seleção. Mas isso não vai influenciar em nada no futuro do país.

No face vejo indiretas e diretas. Uns defendendo a esquerda, outros a direita como se fosse um time de futebol.

Enquanto isso, petistas e tucanos estão enchendo os bolsos e eu e você vamos trabalhar até calejar.

Política tem que ser algo que ajude os patrões a progredir com sua empresa e não foder o cidadão, tendo ações que ajudem todos a ter uma vida digna.

Enquanto você só pensa na sua classe, os ideais se tornam praticamente nulos. Se não for o empresário, você não leva o arroz pra casa. E se não for o trabalhador, a empresa simplesmente não anda.

Deixa o fanatismo pro futebol. Por favor.


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Tudo termina em cinzas

Transbordar

Retrovisor

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Tudo termina em cinzas

Subi os 12 andares com uma decisão, tinha certeza que aquilo era o melhor a se fazer. Ainda mais pelas circunstâncias que se mostraram favoráveis a isso. Eu não acreditava que a vida tomaria esse rumo. Confesso que preferia que não fosse assim. Na verdade, achei que o caminho seria mais próspero, verdadeiro e intenso.

Mas não foi.

Ao chegar ao terraço do prédio, passei as mãos no reboco áspero daquela construção mal acabada. Do alto, enxerguei toda a cidade, milhares de pessoas levando sua vidinha vazia e sem sentido. Andei em direção ao centro do terraço, o vento sussurrava em meu ouvido. Uma voz que não ouvia há muito, tomou conta da minha cabeça.

- Tem certeza?

Não respondi. Mas sim, eu tinha. Sentei, acendi um cigarro, o gosto amargo tomou conta da minha boca, me lembrei de muita coisa. Bons momentos. Mas aquilo não superava o que tinha acontecido. Mas sabia que era o final. O último capítulo. Abri minha bolsa e puxei um caderno, um lápis e uma caixa.

Desenhei aquele sorriso melancólico que por um tempo foi a razão de acordar. Lembrei daquele nascer do Sol e da voz nasalada. Abri uma caixa preta de memórias ocultas, coloquei o papel nela e acendi o isqueiro. Fechei a caixa, uma lágrima escorreu:

- Você não quer fazer isso - a voz disse.

- Eu preciso – retruquei.

Fechei os punhos e andei firme até a sacada. Olhei para o chão, quase interminável. Tive tontura, coloquei a caixa na beirada e empurrei. A cada metro que se afastava, eu sentia uma coisa estranha, como se algo fosse arrancado de dentro de mim.  Ao longe, vi a caixa se espatifar.

Senti uma dor no peito, sentei, encostado na parede da sacada. Chorei desesperado, acendi outro cigarro. Bati o dedo para soltar as cinzas, sorri um pouco amargo, aquela noite tinha acabado em cinzas. 


Abra a mente!



domingo, 30 de abril de 2017

Transbordar

Se você procura alguém para completar o que você é, reveja seus conceitos. Você deve ser completo por si. As pessoas vem apenas para somar, e não para reorganizar os seus traumas e problemas. E esteja pronto para transbordar o copo de alguém também.



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sábado, 29 de abril de 2017

Retrovisor

Paradoxo de olhar no retrovisor. É uma questão de segurança, mas mesmo assim não passa de uma forma de se prender ao que já foi.



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O melhor para depois

Quando era moleque, pensei em uma estratégia para comer bolacha recheada. Passei a tirar todo o recheio, guardava na geladeira e comia um tempo depois. Era gostoso pra caramba, até que um dia, meu irmão descobriu meu plano e comeu uma, duas, três vezes o recheio. No final, eu tirei toda a parte gostosa e fiquei apenas com o lado sem graça da bolacha.

Aprendi que não dá para deixar o melhor para depois, porque esse depois pode nunca chegar. Mas o foda é que tem hora que a vida parece mais uma bolacha de água e sal, sem nenhum chazinho para ajudar a descer.


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Existe um lugar só seu

Quando os amores se mostrarem falsos e as pessoas podres como uma carne velha.  E quando tudo o que há um tempo lhe fazia bem, já não lhe faz: é hora de partir. O mundo é imenso, com amores e possibilidades para você desfrutar. Ficar em um lugar que não é seu não passa de um suicídio pessoal.

Se encontre ou caía na escuridão.



Continue abrindo a mente!



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Onde você encontra a paz?



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Maldita Sorte

Você não passa de um grande filho da puta

Código de Conduta

Maldita Sorte

Já assistiu esse filme? Basicamente, um bonitão transa com uma garota, e a próxima pessoa que ela conhece, se torna o amor da sua vida. Agora vou falar um pouco sobre a minha maldita sorte, ou quem sabe, a prova que eu nunca passei de um maldito estepe.

Meu namoro mais duradouro, a menina tinha um trauma com o ex: ele estava namorando duas pessoas ao mesmo. Namoramos dois longos anos. Menos de um mês depois que terminamos, ela já estava namorando novamente, e dois meses depois, PASMEM, estava noiva.

Outro rolo tinha problema com o ex. Basicamente ela o odiava, ele tinha falado para os pais que tinha feito um aborto enquanto estava comigo. O relacionamento foi um inferno. Me chutou e voltou para ele.

E o último fato você sabe melhor que ninguém o que houve. Servi apenas para ferver uma água morna. Conversava com um amigo ontem, e cheguei a conclusão que as mulheres são decepcionantes, principalmente as que beberam do pote da liberdade. Imagine namorar alguém tão grudento como eu? Hahaha. Qual é, não existe isso.

O foda é que às vezes me sinto bem, no trabalho, fazendo exercícios e principalmente meditando. Mas percebo que não estou bem por causa de como andam os meus contatos com pessoas do outro sexo.

- Hoje acho que não vai dar para sair. Não tô muito afim.

- Ah, foda-se, você é mó sem sal. Não tem argumentos em relação a nada e fica reclamando de coisas nada a ver.  Aff, como você é sem graça. Tenho vontade de enfiar uma meia na minha boca quando estou com você.

Outro dia, fiquei com uma menina, um amigo me disse que ela perguntou a ele se eu sempre era um pé no saco. Tava curtindo o som, ela me abraçou e veio me beijar:

- Ow, saí daqui, mano. Eu te acho insuportável e muito pé no saco.

Ela me olhou muito puta. Foi engraçado.  Na Terça passada, vi uma menina que eu  já fiquei várias vezes. Nos vimos no estacionamento da faculdade, no carro dela. Começamos a nos beijar, e esse foi o pior. Senti um negócio estranho, comecei a lembrar beijos que não queria lembrar, tirei a mão do peito, coloquei a camisa e fui embora, sem dizer nada.

É, a maldita sorte é mais maldita do que sorte, infelizmente.


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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Você não passa de um grande filho da puta

- Você não passa de um grande filho da puta.

Foi isso que ouvi depois de uma surpresinha. Dois dias atrás, cheguei do trabalho cansado e vi o carro do meu irmão que não via há muito tempo.  Não tinha ninguém em casa, ele me cumprimentou e entramos.

- Cara, sabe o que eu tô com vontade?  De jogar Super Nintendo – ele disse, enquanto eu abria a porta da cozinha.

A ideia foi bacana, abrimos aquela caixa empoeirada e limpamos fita a fita, além dos controles. Começamos jogando Mortal Kombat, passamos por Top Gear, Donkey Kong, Super Mario World e até que tivemos a genial ideia: ganhar uma Copa do Mundo no Superstar Soccer com Alejo, Pardilla e companhia. Vagamente, eu lembrava que tinha alguma coisa para fazer naquela Sexta-Feira, mas logo aquilo passou batido.

Jogamos para caralho, eu fazia tanto gol, até de carretilha. E quando chegamos à final, aquele arrombado perdeu para a Itália de 2 a 0, dois gols do Carboni. Fiquei puto. Mas passou. Depois disso,  sentamos na varanda, acendi um cigarro e lhe ofereci um. Ele balançou a cabeça e disse:

- Tenho algo melhor.

Buscou no carro dois charutos e um whisky Black Label, sacou um isqueiro de filme de faroeste e acendeu o meu e o dele. Começamos a lembrar de quando jogávamos em um time amador e aquele dia que eu apanhei no vestiário, além daquela noite nada legal em que fomos ameaçados por causa de uma menina, que aquele retardado tinha pegado muito tempo atrás.

Foi uma noite incrível. Perdi a noção do tempo.

No outro dia, acordei umas 15h, vi que a bateria do celular estava descarregada, coloquei para carregar e tomei um banho. Liguei o celular e tinha umas 50 mensagens. Liguei para a Geovana:

- O que foi?

- O que aconteceu ontem? – respondeu seca.

- Ah, meu irmão veio em casa e perdemos a noção do tempo. Jogamos vídeo-game, conversamos, foi...

- Mano, você tá tirando? – me interrompeu. – Ontem foi o aniversário do meu pai, porra!

Sabia que tava esquecendo de alguma coisa, mas sinceramente, aquele momento com meu irmão foi tão bacana, que nada iria substituir aquilo. Mas é claro que não respondi isso:

- Poxa amor, sinto muito. Eu... eu realmente esqueci. Me perdoa.

Ela desligou o celular. Vi que estava chegando a hora de um jogo, e eu tava muito afim de jogar bola. Peguei a moto e parti. Foi incrível, fiz dois gols e me senti o rei da porra toda.

Chegando em casa, peguei o celular e liguei para ela, continuava puta e não queria me ver. Tudo bem, assisti alguns filmes e dormi. No outro dia, acordei lá pelas 8h, não sei porque acordei tão cedo em um domingo. A primeira coisa que fiz foi ligar para Geovana:

- Estive pensando. Fiquei muito chateado com o que aconteceu. Precisamos conversar e muito sério.

Voltei a dormir.

Ouvi um barulho na porta:

- João, a Geovana quer falar com você – minha mãe disse.

Levantei e ela tava na sala, sorri e disse:

- Oi amorzinho.

- Meu, você tá bem? – ela tinha um rosto desesperada, parecia aflita.

- Tô bem e você meu anjo?

- Fala logo o que você quer – a voz dela quase não saiu, uma mescla de choro e decepção, talvez arrependimento.

- Não é nada. Olha o calendário.

Ela foi até a estante, puxou o calendário, seu olhar era endiabrado. Correu na minha direção, senti uma dor do caralho, ela tinha dado um murro no meu nariz. Subiu em cima de mim e começou a me socar, isso porque tinha feito balé a vida inteira, eu imagino se tivesse sido boxe. Era primeiro de Abril.

- Você não passa de um grande filho da puta! É FILHO DA PUTA! – não parava de bater.

Senti meu nariz escorrendo sangue, ela se levantou, seu olhar de raiva virou de preocupação, abaixou, estendeu as mãos e disse:

- Vem tomar banho.

Doeu? Doeu muito. Mas foi divertido.


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terça-feira, 18 de abril de 2017

Código de Conduta

Anéis de código de conduta. O primeiro e mais importante: tratar bem todos que por sua vida passar; Segundo: sempre perseguir seus sonhos.

Quando no pescoço pesar, se lembrar dessa simbologia.



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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Você vai, né?

- Espero de coração que você vá ao meu casamento.

Essas palavras eu ouvi ao chegar do trampo. Cansado depois de um dia movimentado no trabalho, estava me trocando, ouvi o telefone fixo, atendi e ouvi um:

- É da casa do Rodrigo Moreira? – pensei: “Porra, banco de novo enchendo o saco?”.

- Sim, está falando com ele.

- Ro... – teve uma pausa – drigo. Sou eu a Manu.

Fiquei pasmo. Sem reação:

- Manu? Porra, há quanto tempo...

- Sim, é verdade, vou me mudar de casa e comecei a arrumar as coisas. Nela achei o seu Rakani que me deu. Pedi seu número para um conhecido, tentei ligar várias vezes e não consegui, então encontrei na lista telefônica o número da sua casa.

Rakani era um amuleto que dei pra ela há uns 9 ou 10 anos. Quando eu era criança, terminei uma história em quadrinhos. Enviei para uma editora e o resultado não foi muito satisfatório. Recebi uma carta escrito algo do tipo:

“Agradecemos o contato e a força de vontade. Continue tentando, quem sabe um dia não publicamos.”

Joguei a carta e a história fora. Decidi nunca mais desenhar na vida.

- Vi no seu instagram que voltou a desenhar, e agora encontrei isso... Sabe, você era tão sonhador. Queria conversar com você, saber como você está, essas coisas.

- Ah Manu, tô bem, não sei se sabe, mas me formei e estou empregado, vi que você está noiva, né? Fico feliz por você. A vida anda de uma forma ou de outra.

- É verdade... Por tantas vezes eu senti sua falta. Lembro que quando meu pai faleceu, você me levava todos os dias para casa e ficava conversando horas e horas. Não tocava no assunto e sempre me fazia uma surpresa. Você não sabe como foi importante para mim.

- Que isso, você que foi uma menina forte... – resolvi não remoer esse assunto tão delicado - falando nesse símbolo, você ainda lembra o significado?

- Aff, é claro que eu lembro, parece que é besta. – Rakani era um amuleto do clã Jiribi. Todas as vezes que os guerreiros iam a guerra, entregavam um Rakani para sua esposa. E sempre que elas apertavam ele, sentiam a presença do amado.

- Fico feliz que ainda se lembra. Funcionou?

- Na verdade, não muito. – a sua voz continuava sonora e leve como uma música clássica. – Rô, vou ter que terminar a mudança. Sei lá, queria te ligar, a gente se afastou há tanto tempo, mas éramos tão próximos. Eu e meu noivo encontramos uma data para nosso casamento.

Minha voz não saiu. Manu é o amor da minha infância. O primeiro amor. Não sei se sinto algo por ela, mas esses dias estava tão abalado, que uma notícia desta em cima de outra pesada que recebi no dia anterior foi de me estraçalhar.

- Ca... ca... casar?

- Sim. E eu quero muito que você vá.

- Fico tão feliz por você. Você é uma boa pessoa. Vai ser feliz. – respondi.

- Você vai, né?

- Eu não sei, Manu. Realmente não sei.

- Vou te enviar o convite. Vou te esperar, tá? Preciso terminar a mudança. Só queria falar como você foi importante na minha vida.  Me fez muito bem.

Depois dessa ligação, é impossível não fazer essa pergunta: Quando alguém vai me fazer bem?


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