quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

De encontro com a fera



Os olhos eram vermelhos como um sangue recém derramado. Seus pelos estavam erguidos como espadas medievais antes do confronto final. Meu coração bateu forte e fora de ritmo. Estava de cara com a morte eminente.  O suor derramou em meu rosto.  Se existe uma sensação antes da morte, decerto era essa.

A fera observava meus olhos, de forma penetrante e indomável.  Minha respiração era ofegante. Não tinha o que fazer a não ser encarar aquela criatura animalesca. Gritei aos sete mares as mais diversas ofensas. A minha posição de animal indefeso se virou. Estava confiante e pronto para o ataque.

A corrida foi precisa e agressiva, o lábio foi mordiscado e a vontade de atacar era incontrolável.  O primeiro passo pegou na terra firme, o segundo foi quase um metro para frente, o terceiro foi acompanhado de um pulo e a apunhalada foi surpreendente.

A fera sangrou, um golpe certeiro em sua garganta. O sangue brilhante derramou naquele terreno infértil. O olhar da fera passou para mim. Agora estava fosco e doentio. O espelho ficou quebrado no chão e os passos atordoados se tornaram, enfim, implacáveis.


Continue abrindo a mente!




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