quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Ano novo?

E está aberta a temporada de textinhos de ano novo. Cheio de mimimis sem graça, falando que o ano foi duro, mas valeu a pena.  Também vale abrir a aba de amigos que você não tem o que conversar e mandar um “feliz ano novo”. Você também pode fazer isso com pessoas desconhecidas, afinal, ninguém liga. Não é um passar de datas que vai mudar o que você é, o único capaz disso é você. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sem expectativas

Reinaldo Del Trejo


Há um tempo, eu tinha um dom. O dom de me apaixonar pelas pessoas. De me deixar aproximar. Hoje, esse dom não existe mais. Talvez por um medo ou até mesmo como uma proteção.

Ou talvez eu prefira meus livros a conhecer outras pessoas. O ser humano é decepcionante, quanto mais você conhece, mais você prefere se afastar. Hoje estou bem. No fundo, gostaria que as pessoas não fossem assim, mas elas são.

Prefiro não dizer que perdi o dom de amar, mas que prefero me amar. Dessa forma, vou me preparando para os dias que virão. Seja de forma consciente ou não, assim que vou encarar os dias. Sem expectativa, sem frustração. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Chegou a hora?

Reinaldo Del Trejo


Já parou para pensar como a vida é estranha? Nascemos, crescemos e nos perdemos. Ou melhor, eu nasci, cresci e me perdi. Quando tinha meus 15 para 16 anos era tratado como uma boa promessa, mas infelizmente essa promessa não vingou.

Vivo em um vazio sem esperanças. Não olho para frente com um plano concreto, tampouco objetivos detalhados. Quando uma pessoa me mostra objetivos específicos, fico extremamente fascinado. Mas afinal, o que aconteceu para eu me perder?

Às vezes me condeno. Não sei se é o certo. Porque no fim, a única coisa que realmente importa é o que está acontecendo. E talvez esse seja o grande problema. O agora é obscuro e sem sentido.

De tantas incertezas, a única conclusão que eu tenho é que não dá para ficar me rastrejando, mas o que posso fazer?  Me usar como um tipo de protótipo para conseguir uma ou outra coisa? Bem, eu já fiz isso. O resultado foi degradante.

O maior problema é que todos esses impasses são inventados e nunca solucionados. De vez em quando, eles vêm a tona e me atormentam, como esse dia que acordei as 5h de um sábado. A vida já não tem graça. Mas não sei se um dia realmente teve ou eu apenas fazia o que me era proposto.


Só sei que as coisas não estão bem. É hora de mudar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Em ponto neutro

Reinaldo Del Trejo


É possível viver sem um sonho? Quando tinha uns 15 a 17 anos, eu tinha a resposta na ponta da língua, e era um sonoro não. Mas o tempo passou e depois de passar por vários empregos, duas faculdades e ter conhecido várias pessoas, hoje sei que ter um sonho é difícil.

Meu sonho de adolescente era ser jogador futebol, assim como grande parte dos brasileiros. No fundamental, esse sonho virou para dar aula de História e mudar a cabeça das pessoas, ao menos um pouco, esse era o meu principal objetivo e tinha certeza, ao menos na época, que era um sonho.

Mas assim como tudo na vida, nada é tão fácil. Passei por caminhos que acreditei ser a melhor opção no momento e não me dei muito bem. Hoje não tenho sonhos. É meio complicado acordar todos os dias e não ter algo para correr atrás. Talvez seja por isso que eu não consiga acordar tão cedo.

Cheguei em um ponto que deixo as coisas acontecerem. Afinal, já viver, comer e jogar meu futebolzinho já está de bom tamanho. Não deveria, mas está. Antes eu fazia questão de tentar fazer bem para as pessoas. Mas hoje tanto faz.

Sou jovem ainda. É inegável isso, ainda tenho tempo de fazer muita coisa. Mas pelo andar da carruagem, as coisas não vão mudar tão cedo. E isso me preocupa. Ao menos está preocupando. Porque há algum tempo atrás, eu nem ligava. 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Talvez um dia, essa barreira seja quebrada. O mundo tenha uma reviravolta e quem sabe o longe fique perto e tudo isso não passe de uma dificuldade inventada. 

domingo, 19 de julho de 2015

Existem dois motivos que te fazem levantar cedo. O primeiro é ter família para criar, o segundo é um sonho para ser alcançado. Se você não tiver nenhum dos dois, dormir é sempre a melhor forma de levar a vida.

sábado, 18 de julho de 2015

A vida é como uma partida de futebol. Quando o meio campo está tumultuado, basta você pisar na bola e levantar a cabeça para enxergar a melhor opção de passe. Algumas vezes, dá até para arriscar um chute da intermediária.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dinheiro


O dinheiro compra coisas e, infelizmente, algumas pessoas. Mas não compra momentos, como sair da faculdade e ver uma arte da natureza dessa.


Abra um pouco mais a mente!

Longe

A realidade alternativa de Lucas

Any

domingo, 31 de maio de 2015

O futebol está morto

Esfolar o dedão na quadra da escola no primário. Jogar descalço até os pés ficarem pretos com a grama. Sair da escola e correr para a rua, usando a marcação do meio fio como gol. Se esgoelar para a professora de Educação Física dar Futsal e não vôlei, ficar emburrado ao saber que ela não ia atender seus pedidos.

Tudo isso era futebol. Hoje o futebol não existe mais, ao menos da forma que um dia foi. Todo lugar que jogamos se esforça para chegar próximo ao profissional, indo desde gramas sintéticas sem alma, até jogos de várzea em que existe até juiz. Juíz, tá ai uma figura que não deveria interromper o quem fala mais alto da várzea.


As crianças têm outros vícios, como videogame e até mesmo a cachaça, sim, a cachaça. A juventude está cada vez mais prematura e estão deixando de lado a cara do Brasil. Ah, futebol, como eu sinto falta de como você um dia foi. Sei que nunca vai voltar, então o que fica é a saudade.  


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sábado, 25 de abril de 2015

Voltei a ser corinthiano

“Olha o Romarinho! Gooool, Romarinho do Corinthians!” E foi assistindo e ouvindo a narração de Cleber Machado que um ciclo tinha sido encerrado, ao menos temporariamente. Estava deitado em uma cama de hospital após uma cirurgia que me deixou 402 dias longe do futebol, sim, eu contei.

Nesse meio tempo eu me afastei do futebol. Apenas acompanhei as grandes competições, como Liga dos Campeões e Libertadores da América. Não tinha mais tesão em ver as minhas duas paixões, Corinthians e Chelsea.

Porém, para acompanhar a faculdade e o programa esportivo que fui convidado, voltei a observar de perto o futebol nacional e internacional. Até que uma paixão retornou. Hoje percebo que sinto a necessidade de acompanhar o Corinthians e me sinto mal quando não vejo uma partida completa.

Lembro da bicicleta do Alberto na final do brasileiro de 2002, fiquei tonto junto com o Rogério nas pedaladas do Robinho e literalmente sambei no 7 a 1 do timão do Carlitos e Nilmar. Vi o Higuaín desbancar o Corinthians no outro ano e chorei quando o gol de Clodoaldo não foi o suficiente para manter o Corinthians na série A do brasileirão.

Vibrei ao  ver o primeiro gol de Ronaldo, estava a poucos metros dali. Acompanhei os frangos do Julio Cesar em plena Quartas de Final do Paulistão. Vibrei no hospital no empate do timão contra o poderoso Boca Juniors e em casa liguei para meu amigo assim que o Sheik mordeu o dedo do Caruzo.

Em paralelo a tudo isso, observei meu Chelsea ser campeão da Champions em 2012, mostrando que não é sempre o melhor time que ganha, e sim aquele que joga certo. Mas no mundial de 2012, assisti, sofri um pouco por dividir meu coração. Mas não era a mesma coisa. O futebol tinha sido deixado de lado.


Até que hoje percebo que esse sentimento renasceu em meu peito. Minhas veias voltaram a pulsar, principalmente para o Corinthians. E posso dizer com todas as palavras que voltei a ser corinthiano. Não sei o porquê, apenas sinto isso. 


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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Longe


Ah, ela estava linda. Seu sorriso leve e feliz, mostrando duas covinhas tímidas, mas que davam um tom especial ao seu rosto extremamente simétrico. Um olhar negro, mas não aquele negro sombrio e sem vida, um olhar vivo e cheio de desejo para um futuro que não tarda a vir. Os cabelos eram também negros, sua pele branca, mas não pálida.

Viu a vida daquela forma peculiar. Tinha um leve, mas encantador sotaque. Bem, sua voz faz falta para aquela vida sem sentido. Às vezes o universo vem e te mostra pessoas incríveis, mas por algumas coisas que ele mesmo inventa, a torna longe de seus dedos – aliás, não deixa que os toquem. Ah, universo, por que diabos faz isso?


O caminhar solitário insiste. Mas antes de morrer, assim como aquela última gota d’água, ela vem e desperta algo que estava adormecido (mas não morto). Os traços do lápis circundam aquele rosto perfeito, um sentimento de impotência retorna. Porra! Um desabafo limitado. Está longe jovem, é impossível. Mas ao mesmo tempo é incrível saber que existem pessoas como essa. Minto, existe só uma.


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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Justiça com as próprias mãos


Não julgue o ato de alguém sem conhecer o contexto. Muitas pessoas se acham super-heróis e donas da verdade. Contudo, esquecem que não passam de seres humanos. E sabe qual é a diferença entre uma pessoa boa e uma ruim? A resposta é apenas a ação. Você acha que matar é entendível? Não? Então conheça a história de Vinícius.

Vinicius sempre foi um menino de bom coração. Seu sonho era ser advogado. Era dedicado a escola e era um excelente filho. Ele namorava Vanessa. Vanessa era seu amor de infância, desde quando ele a conheceu, ele sabia que ela seria a mulher de sua vida. Não me pergunte como, ele apenas sabia.

Quando chegou a faculdade, esse jovem precisou trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Pois sua família estava passando por sérios problemas financeiros. Mas o garoto foi forte e conseguiu ser o melhor aluno da faculdade e também um excelente funcionário do tabelião de notas.

Antes de se formar, passou na prova da OAB.  Na formatura recebeu honras do coordenador do curso.  Algum tempo depois, recebeu a grande notícia, Vanessa estava grávida. Agora, o rapaz enfim poderia realizar seu grande sonho de ser pai. O nome da menina já estava separado, ela se chamaria Beatriz. Vinicius era obcecado por Dante, e ele queria ter enfim a sua Beatriz.

O jovem promissor ganhava cada vez mais. Tinha um mundo pela frente. Até que em uma Quinta-Feira qualquer seu castelo de areia foi derrubado pelas águas revoltadas da humanidade. Ao estacionar o carro na garagem de sua casa, notou um silêncio estranho, pegou a chave de seu bolso esquerdo de sua calça social marrom e abriu a porta.

Deu alguns passos na sala de estar. A casa era de dois andares e os quartos ficavam no andar superior. Ouviu um barulho estranho no andar de cima, correu para o quarto de sua esposa.  Ao abrir a porta foi surpreendido por uma cacetada que o fez cambalear, antes de desacordar, ele viu um semblante conhecido, era o irmão de sua amada, Pedro.

Vinicius acordou somente no hospital, ao ver o médico perguntou onde sua esposa estava. O médico disse que ela estava bem. Ele queria saber o que era estar bem, o médico disse que ela estava viva e não corria risco de vida, mas infelizmente ela havia perdido o bebê. A Beatriz do jovem advogado havia morrido.  Ele pensou o motivo de Pedro ter lhe batido, afinal, o que havia acontecido?

No mesmo dia, Vinícius saiu do quarto e procurou Vanessa. A jovem estava abalada, não falava uma palavra sequer. Ele perguntou sobre Pedro, ela desabou a chorar. Alguns minutos após isso, o delegado o procurou. Disse que havia passado na cena do crime e faria um exame detalhado no corpo de Vanessa, o rapaz interrompeu e gritou que Pedro havia feito aquilo. O delegado pestanejou, disse que não poderia tirar conclusões precipitadas.

Vários exames foram feitos. Nada constatado. Pedro não apareceu. Vanessa não falava uma palavra, mal comia, estava cada vez mais fraca, a beira da morte. Pedro era um excelente advogado, fez tudo que estava dentro de seu poder. Mas ele não tinha voz ativa, pois estava emocionalmente ligado com o caso. Era tudo em vão.

O tempo passou e Vanessa morreu.  A verdade é que Pedro era casado com uma filha do juiz.  O pai tinha garantido que nada aconteceria ao estuprador.  Já que Vanessa foi molestada por esse filho da puta, que era irmão dela. Vinícius não tinha nada a fazer, a não ser fazer com que ele sentisse a mesma dor.

Passado exatamente dois anos, Vinícius invadiu a casa de Pedro. Amarrou a esposa e a filha do estuprador. Quando Pedro entrou na casa, levou a mesma cacetada que Vinícius havia levado um tempo atrás. Mas ao acordar, ele não estava em um hospital. Estava amarrado na frente da esposa e da filha. Vinicius já não distinguia o certo e do errado.  Não aguentava aquela impunidade.

Pegou uma barra de ferro, segurou o rosto da criança, uma lágrima derramou daquele rosto infantil, ele não aguentou, ajoelhou-se. Não poderia fazer aquilo. Pedro era o monstro, não ele. Ele não poderia simplesmente se rebaixar ao que aquele filho da puta era. Então em um surto de justiça, virou-se para Pedro, com o mesmo ferro bateu com muita força na barriga do estuprador.

Vinícius, um grande advogado, um bom viúvo e um pai que nunca pode ser. Poderia ter deixado Pedro viver para ser pai da menininha. Contudo, antes de qualquer coisa, ele não poderia deixar aquele lixo solto na sociedade. Pois havia aprendido em seu curso, que apesar da justiça ser asquerosa, cada advogado deve lutar com unhas e dentes para que ela seja cumprida. E ali estava um caso claro de corrupção. Pedro precisava pagar e pagou. Um golpe certeiro na nuca foi suficiente para isso. Mas antes, ele tapou o rosto da criança e da mãe. Uma medida de segurança, assim como aquelas que são tomadas em voos a mais de 2 mil metros de altura.


Depois disso, o advogado se entregou para a justiça. Ficou 14 anos preso. Ao sair, voltou a advogar e passou a foder todos os estupradores. Trabalhava 12 horas por dia. Fazia o máximo para colocar esses seres asquerosos na cadeia. Ele é um advogado que apesar de um dia ter infligido a lei, ele sempre fez com que a justiça acontecesse. Infelizmente, ela foi falha com Pedro, mas ele tratou de corrigir essa falha.  


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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ir ao cinema sozinho


Ir ao cinema é algo socialmente comum. Contudo, e ir ao cinema sozinho? Só de pensar na ideia já dá um certo desânimo e até angústia. Afinal, ir ao cinema é uma interação social e deve ser compartilhada? Não exatamente.  O dia era uma sexta-feira qualquer, andei de moto, entrei no shopping e fui em direção a uma lotérica pagar uma conta que vencia naquele dia. Ao descer em uma rampa uma criança entrou na minha frente e sorriu, deixei o capacete percorrer em minha mão e sorri também.

A lotérica estava fechada. Era 20 e 30.  Em uma placa pendurada à esquerda diz que a mesma fecha às 21. Mas é claro que o povo brasileiro precisa encerrar suas atividades antes que um cliente chegue. O mais engraçado é que esses mesmos cidadãos não entram um segundo antes de seu expediente começar, como se tivesse fazendo um favor ao patrão. Amigos, do jeito que tá a falta de emprego na atualidade, quem está fazendo um favor a vocês são os seus patrões, não o contrário.

Enfim, sai da lotérica cabisbaixo, mas sem reclamar, afinal, não estava afim de perder uma dúzia de palavras com uma adolescente irresponsável. Então subi novamente a rampa e me dirigi à praça de alimentação. Vi no cartaz um filme chamado “Exôdo”. Resolvi assistir e até pensei em escrever um texto para o blog, que nos últimos meses está deixado para as moscas, aliás, quantas pessoas chegaram a esse parágrafo? Você chegou? Parabéns, existe 99,99% de você ser único.

Comprei pipoca e refrigerante e observei que minha carteira não estava assim tão vazia.  Me lembrei da época em que namorava e toda aquela obrigação de sair nos finais de semana. Era difícil o dia que sobrava alguma grana. Agora, solteiro, tenho muito mais tempo e dinheiro, diga-se de passagem. O que é bom, pois consigo dedicar um bom tempo para leituras, não é por acaso que nesse mês de janeiro já devorei 3 livros.

 Agora, imagine um gordinho com um capacete na mão, pipoca e Coca-Cola e muito estabanado.  A frente uma menina do cabelo levemente encaracolado olhou de soslaio, como se sentisse pena da minha figura patética, abriu a porta com a mão direita, enquanto a esquerda segurava um belo celular, pela qual ela deveria estar respondendo algum pervertido de plantão, que talvez estivesse utilizando um papo clichê para leva-la para algum lugar desconhecido e sem graça. Essa mesma menina se encontrava com uma mulher mais velha, possivelmente a sua mãe.

Quando me sentei, me senti o próprio Einstein com experimentos sociais. É claro que não estava fazendo nada de mais. Mas mesmo assim, a ideia de colocar na prática uma experiência antes de escrevê-la é no mínimo excitante. Você deve estar se perguntando o quão podre é minha vida pelo fato de eu estar excitado com o barulho irritante de pipoca em uma sala de cinema em plena Sexta-Feira à noite, quando poderia estar em uma balada ou simplesmente transando com alguém. Pois é, a vida não tem o mesmo sentido para todas as pessoas.

A sala de cinema não era muito grande. Tinha seis luminárias em cada canto, o teto era revestido de um veludo confortável e os bancos eram devidamente ajustáveis com meu 1,85 e mais de 100 quilos. Logo retirei meu tênis e senti o ar gélido entrando em contato com a minha pele. Quando ouvi o barulho de alguém no andar de cima, lembrei do filme “Clube da Luta”, quando Tyler trabalhava em um cinema e de forma marota colocava uma figura de pênis entre os rolos de filmes. Imaginei como deveria ser interessante trabalhar em um trabalho do tipo. Outro trabalho que invejo é o de bibliotecário. Sempre quando pego algum livro na faculdade, vejo aquelas almas em um emprego tão fascinante. E ao invés de devorarem aqueles milhões de páginas quando estão sem nenhum afazer, ficam remexendo em seus malditos celulares. Que tecnologia maldita!

A solidão bate de encontro quando você não tem com quem comentar sobre a demora do filme chegar. Você apenas aprecia a sua pipoca e observa as outras pessoas. A sala de cinema praticamente vazia. Um filme fraco, barulho de pipoca sendo devorada durante os trailers de outros filmes que eu nunca vou assistir. E nesse meio tempo, 15 minutos de atraso. 15 minutos. Nesse tempo é possível acabar com uma guerra ou até mesmo escrever um texto inútil como esse. Em 15 minutos, é possível dar uma rapidinha, mas sem preliminares (se você leva menos de 15 minutos, procure um especialista, tá? Você precisa). Muita coisa se faz em 15 minutos. Mas é aceitável nesse país os inúmeros atrasos e falta de ética de seus cidadãos.

Mas como o objetivo é enfatizar a ida ao cinema. Só posso falar que é normal e nada decepcionante. Em uma vida cheia de pessoas interesseiras, é melhor ir sozinho a um lugar e aproveitar apenas o momento, do que ficar ouvindo baboseiras de uma existência sem sentido. Além de aprender a lidar com a solidão e fortalecendo o seu eu. Isso porque o homem se torna cada vez mais forte quando aprende a se sentir bem sozinho. Ah, e o filme? Ruinzinho.


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

De encontro com a fera



Os olhos eram vermelhos como um sangue recém derramado. Seus pelos estavam erguidos como espadas medievais antes do confronto final. Meu coração bateu forte e fora de ritmo. Estava de cara com a morte eminente.  O suor derramou em meu rosto.  Se existe uma sensação antes da morte, decerto era essa.

A fera observava meus olhos, de forma penetrante e indomável.  Minha respiração era ofegante. Não tinha o que fazer a não ser encarar aquela criatura animalesca. Gritei aos sete mares as mais diversas ofensas. A minha posição de animal indefeso se virou. Estava confiante e pronto para o ataque.

A corrida foi precisa e agressiva, o lábio foi mordiscado e a vontade de atacar era incontrolável.  O primeiro passo pegou na terra firme, o segundo foi quase um metro para frente, o terceiro foi acompanhado de um pulo e a apunhalada foi surpreendente.

A fera sangrou, um golpe certeiro em sua garganta. O sangue brilhante derramou naquele terreno infértil. O olhar da fera passou para mim. Agora estava fosco e doentio. O espelho ficou quebrado no chão e os passos atordoados se tornaram, enfim, implacáveis.


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