segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Any


Ela era linda, carismática, inteligente e tinha um bom coração. Trabalhava e estudava, dava um duro danado para encarar a vida cotidiana, que é um porre. Ela se esforçava para ser a melhor pessoa que poderia ser. Não se importava em deixar de fazer uma ou outra coisa pessoal em prol de um amigo ou familiar.

Porém, o que as pessoas viam nela era apenas o externo, apenas o corpo e um par de seios. Ela se perguntava toda noite o porquê da sociedade ser tão podre e deficiente. Apesar dos pesares ela acreditava que um dia ela conheceria alguém que veria através de seus lindos olhos negros.

O tempo foi passando e a bola da vida murchando. A cada dia, ela acordava mais triste e deprimida. Tudo que ela queria era ser reconhecida pelo que ela é e não pelo que ela representa. Até que em uma quinta-feira qualquer ela resolveu mudar tudo, se olhou no espelho e viu que aquela beleza não era o que ela significava.

Pegou uma faca de serra, pressionou em seu rosto e viu o sangue vermelho camurça derramar, ela sorriu e foi para o hospital. No hospital, ela passou por uma cirurgia e como previsto, ficou deformada. Em seguida, seus familiares resolveram interna-la em um sanatório, e não pense você que era com o objetivo de proteger a menina de seus próprios males, mas sim de algum possível dano aos entes “queridos”.

Quando chegou ao sanatório, Any, eu esqueci de citar o nome dela, né? Ela foi sedada e nos primeiros dias só sabia chorar. Ela não entendia aquela rotina e aquelas pessoas que pareciam perturbadas. Até que Vanessa, a enfermeira, a levou para tomar Sol pela primeira vez, Any ficou sentada em um banco feito de eucalipto.

A camisa de força a incomodava, mas aquilo era para lhe proteger da loucura. Como se fosse possível, já que a vida atual é um grande sanatório. Até que de repente, ao longe surge um rapaz, cerca de 1,80m, físico interessante e um olhar confiante, ele também tinha uma camisa de força, chegou perto da menina e sentou-se ao seu lado.

Any adorou aquele rapaz, ele era tudo que um dia ela tinha idealizado para sua vida. Confiante, interessante, inteligente e tentava entender todas as suas peculiaridades. Any encontrou a felicidade com o passar dos dias e achava que estava pronta para sair do sanatório, mas não queria abandonar o seu amor. Sim, o seu amor.

Um dia, a mãe dela chegou ao sanatório, caminhou ao lado da menina e perguntou como andava as coisas. Any disse que estava tudo bem e que queria sair logo, mas não queria abandonar David. A mãe dela sorriu de forma melancólica e se despediu. Ao chegar perto da enfermeira, ela fez uma breve pergunta:

_Ela ainda está conversando sozinha?

_Sim, todos os dias ela diz estar conversando com esse David.

Any conversava sozinha todos os dias. Ela sempre idealizou um homem perfeito. Contudo, essa perfeição não existe. Apenas em nossa cabeça que não aceita a imperfeição humana. E o cérebro humano como obra quase divina acaba suprindo as necessidades. De vez em quando você acha que uma pessoa é perfeita. Porém, não passa de uma obra literária de seus neurônios.


Continue abrindo a mente!