terça-feira, 15 de julho de 2014

Esperança Incoerente


100 quilômetros por hora. 105, 110, 120, 130, o vento bate de encontro ao capacete. Um jovem com um vão imenso está por dentro. Ele aperta a embreagem com a mão esquerda, sorri e pensa o que aconteceria se apertasse o freio com a direita. Voaria alguns metros metros a frente, se espatifaria no chão, um mar de sangue preencheria o vão da rodovia mal cuidada.

Ele voa com o pensamento e retorna a realidade. Uma realidade nebulosa e sem sentido. Acorda cedo, vai para um trabalho cheio de repetições e encheções de saco. Sai, com a cabeça explodindo, parecendo que o mundo está martelando em seu cérebro. Chega em casa, deita, tenta fazer pessoas que não ligam para ele sorrir. As pessoas não sorriem, sua existência é um vão maior que aquele que as meninas populares deixavam para ele na adolescência.

O sorriso amargo paira seu rosto. Novamente um dia está acabando. O que ele fez de bom nesse dia? Absolutamente nada. Mais um dia de merda nessa vida de merda. Os dias tristes estão começando a virar rotina. Sempre a mesma coisa para sua vivência. E de vivência em vivência ele vai perdendo o gosto pela humanidade.

Já foi a época que ele se esforçava pelas pessoas. A cada dia ele mais se aproxima de um bloco de gelo do que de um ser carnal. Ele ainda sonha em fazer alguma pessoa feliz. Mas a felicidade é algo que parece passar longe. É mais fácil sorrir amargurado e lidar com a solidão do que acreditar na sociedade.

Mas como diz a música do Jota Quest: “Além do Horizonte existe um lugar...”. Não sei que lugar é esse, tampouco quando vai chegar. Porém, assim como marido traído, eu acredito no futuro, mesmo sem ter um presente e um passado que me façam acreditar. Essa é a vida – recheada de uma esperança incoerente.


Continue abrindo a mente!