segunda-feira, 23 de junho de 2014

A maldição de Jean


Mais um dia amanheceu para Jean. 30 anos, olhos castanhos penetrantes, barba cerrada, corpo atlético, advogado bem sucedido em uma empresa de grande porte. Acordava às 5 da manhã e ia correr, corria desesperadamente ao lembrar de cada noite passada. Seus olhos castanhos não eram dessa cor após as 23.

Jean tinha um carma, uma maldição. Após esse horário, seus olhos ficavam vermelhos como o inferno. Ele precisava saciar a sua vontade de um corpo humano. Se engana quem acha que Jean é um vampiro ou coisa do tipo, mais do que isso, ele é um devorador de almas. Toda noite ele necessitava de um corpo quente e ingênuo próximo ao seu.

Porém,  engana-se quem acha que esse advogado ataca suas vítimas de forma sombria. Ele conquistava cada ser humano, essa era sua maldição. Cada noite Jean não se importava em tirar a ingenuidade de uma vítima diferente. Para ele tirar a ingenuidade de uma pessoa, ele precisava transar com ela, e bom, Jean adorava fazer isso.

A cada novo dia, ele acordava com uma vontade de foder do caralho. E ora, quem não acorda com essa vontade? Mas quanto mais perto das 23 horas, ele começava a se retorcer. No inicio, ele não tinha o que fazer e tentava encontrar parceiros no parque. Mas não era só de sexo que ele precisava, ele necessitava que a pessoa tivesse bom coração.

Como alguém conseguiria transar com uma pessoa de bom coração por noite? Bom, Jean nem sempre conseguia. E quando uma noite não era saciada, ele simplesmente enlouquecia. Seus olhos sangravam e ele sentia uma dor descomunal. Era a sensação da morte,  não posso descrevê-la para você, mas dizem que é insuportável.

23 horas chegou em mais um dia. Os olhos de Jean ficaram totalmente vermelhos. Ele não conseguiu convencer nenhuma companheira de trabalho ou de academia para ir a sua casa. Ele começou a se retorcer de dor, seu estomago embrulhou e de repente saiu muito sangue de sua boca. Jean foi para o chuveiro, sentiu uma dor horrível e resolveu caminhar no parque.

Blusa negra, olhos vermelhos, era um visual totalmente sombrio para um passeio em plena Segunda-Feira. As nuvens estavam em cima da lua, e ela estava linda, maravilhosa. Até que Jean sentou em um banco, tirou o cigarro do bolso e o acendeu. A dor cessou um pouco, até que surgiu uma mulher ao longe. Cabelos negros e pele branca como a neve, Jean sentiu uma sensação estranha, a dor estava voltando.

Ela se aproximou e sentou ao lado de Jean. Perguntou o que ele fazia naquele lugar escondido. Ele disse que estava procurando alguém. A moça perguntou diretamente se ele havia encontrado. Jean não sabia bem, mas a dor estava insuportável, então sorriu discretamente e disse “talvez”.

A moça pegou em sua mão, notou que estava gelada e sorriu. Ele se levantou e a acompanhou, perguntou para onde ela estava o levando.  Ela disse que era para seu apartamento. Jean começou a suar frio, ela não parecia ser ingênua, mas a dor estava aumentando cada vez mais. Ele também estranhou dela não perguntar de seus olhos vermelhos.

Ela abriu a porta e Jean entrou. Ele tinha aprendido a disfarçar a dor com o tempo. A garota abriu sua jaqueta de couro e a jogou no chão, estendeu a mão no corpo de Jean, passou a mão direita na barba dele e o fitou com os olhos negros e desafiadores. Jean sorriu, já estava excitado.

Chegou a dois dedos de sua boca, sorriu maliciosamente, ela mordeu os beiços e o afastou. Tirou a blusa branca que caía perfeitamente em seu corpo, os seios dela eram lindos.  Ele deu um passo à frente, segurou firme com as duas mãos, seus olhos estavam cada vez mais vermelhos, ele estava louco para acabar logo com aquilo.

Ela sorriu. Estava louca de desejo também. Então levou as mãos até as calças de Jean, as desabotoou, nisso, ele a jogou na cama. Ela fez cara de indefesa, mas de indefesa não tinha nada. Jean engatilhou até ela, se aproximou de sua boca novamente, ela dessa vez mordeu os lábios dele. Ele ficou louco, com mão em sua nuca, ela puxou seus cabelos.

Com a mão direita deslizando naquele corpo branco e gostoso, ele estava explodindo, tirou o sutiã com apenas uma mão e mordeu levemente, ela arrepiou o corpo todo e com a língua ele deslizou por ela. O fim cabe a você imaginar, mas só digo que foi no mínimo excitante.

Após aquela transa deliciosa, Jean sentiu seus olhos voltarem a ser castanhos, ele sentiu um alívio e apagou. Na manhã da Terça-Feira Jean acordou no banco do parque, ele ainda sentia o cheiro do perfume amadeirado daquela linda morena e ele não tinha remorso daquela noite incrível.

Depois daquela noite, Jean nunca mais precisou transar com pessoas ingênuas. Ele estava totalmente curado de sua maldição. Porém, agora ele estava dentro de outra, que era encontrar aquela mulher que roubou o seu coração. Tarefa essa que era quase impossível, pois Jean morava em uma cidade com quase 5 milhões de habitantes.

Porém, todos os dias Jean ia ao parque. Por 3 anos, ele esperou uma oportunidade de encontrar aquela mulher. Mas até que um dia, ele encontrou um bilhete naquele banco. O bilhete dizia:

“Obrigado por me libertar. Você me trouxe uma magia diferente e descobri que poderia viver após estar com você. Todos os dias eu observava você sentado no banco. Mas eu nunca cheguei perto de ti. Pois eu sabia que aquela noite foi eterna e deveria ficar dessa forma. Coisas boas devem ser eternizadas.”

Jean sorriu e saiu do parque. Essa foi à última vez que o vi. Não sei se ele morreu. Só sei que ele entendeu a mensagem. Momentos bons não podem ser repetidos, apenas relembrados.


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sábado, 21 de junho de 2014

Imagine


A noite mais uma vez foi encerrada. Em seu quarto sombrio se encontra o garoto sem face. 20 anos, várias histórias e muita melancolia em seu olhar. O vento frio passa pela janela e encontra as suas entranhas podres, ao lado um livro que ele devia ter lido há muito.

Um copo de café já foi bebido. O olhar continua fosco, como aqueles carros de merdas que os playboys da cidade grande gostam de ter. As mãos tremulas ansiando fazer algo diferente. Mas ai ele relembra toda a mesmice que se encontra em sua semana. Acordar, escovar os dentes, ir para o trabalho, escrever textos chatos, espremer seu cérebro para escrever coisas que ninguém vai ler.

Olha para o braço. Em seu braço está escrito Imagine. Imagine o que filho da puta? Imagine uma vida mais agitada? Não, na verdade o imaginar está em fazer aquilo que ficou na vontade. Coisas além de uma pessoa comum – comum, tá ai mais uma definição sem sentido.

Pensa com todas as forças em levantar dali e fazer algo.  Não sabe ao certo o quê, mas já está cansado de imaginar e não fazer porra nenhuma. Ele sabe que a vida é o que é. Mas dentro de toda essa mesmice, quem sabe um dia ele não encontre uma saída? Sabe, igual aqueles filmes que tem um final lindo.


Porém, depois de pensar tudo isso, ele fecha os olhos e imagina. Imagina que as coisas pudessem ter sido diferentes. Imagina que ele poderia ter ido além do simples sorriso. Imagina que aos poucos seu entorno poderia ser melhor. Imagina com todas as forças, porque está esperando que algo aconteça. Enquanto seu mundo real está a um passo de desmoronar, ao menos em sua imaginação ele vive e não apenas existe.


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sexta-feira, 6 de junho de 2014

A vida é tão vida



Já são 7 e 20 da manhã. Mais um dia raiou no rosto do jovem de 20 anos. Seu nariz está entupido, a garganta arranhando. Malta tocando no fundo (não conhece? Precisa).  Olhar profundo em um castanho claro cheio de remelas. Observou uma pilha de livros e sorriu, sorriu? De onde veio esse sorriso?

A vontade de encarar aqueles livros e crescer mais um centímetro de sua humanidade. Mas porra, hoje é Sexta-Feira, pensa em sair demônio. Não, ele está tranquilo. Sabe que precisa se conhecer mais a fundo, porque se perdeu em suas reclamações cotidianas.

Um violão encostado na parede – por que não aprendeu a tocar? Não sei. Mais uma pergunta que vai ser respondida com o passar dos dias. Bolsas e resumos de matérias espalhadas pelo colchão. Mais um ícone de que sua semana foi corrida. Logo mais precisa levantar da cama e encarar mais um dia de trabalho. Bom, ele não está triste com isso.

Hoje ele sentiu uma vontade de colocar uma roupa leve no carro e correr depois do expediente. Correr e ver o suor passando por seu rosto.  Observou o notebook em cima de sua barriga – e que barriga. Se perguntou o motivo dele ter chegado a tal ponto. Não achou respostas, na verdade sempre colocou a sua cirurgia de ligamentos como desculpas – é um filho da puta mesmo.

Porém, hoje é dia de mudar, encarar a vida de uma forma diferente. Ele está sorrindo, levanta, toma um banho e encara esse dia. Porque a vida não é tão desprezível como um dia ele escreveu ou pensou. Ainda existem pessoas que valem a pena, e se não achar uma que valha, existe ele mesmo e enquanto ele for um ser humano digno, haverá por quem lutar. 


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