sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A vida é curta



Jéssica era ruiva, olhos claros, branquíssima como a neve, adorava tocar violão e pensar em como a vida seria maravilhosa se ela alcançasse seus objetivos e sonhos. Porém, ela tinha vários impasses que faziam que sua vida não andasse. Ficava estagnada no nada. Sua família era conturbada, ela era sozinha, contava apenas com seu namorado Juan, que ela amava.

Em uma sexta-feira, no inverno de Porto Alegre, Jéssica estava desenhando um anime, a menina adorava desenhar. Achava que esse era um sonho que tinha sido assolado pela faculdade de Direito. Porém, Jéssica se dedicava ao máximo em seus estudos e tinha tudo para ser uma excelente advogada.

Nessa sexta, o namorado Juan a ligou, disse que não dava mais para ficar com Jéssica. A menina ficou cabisbaixa, tentou entender o motivo. Mas Juan apenas disse: “Você não é você, se deixou levar pela sociedade”. A menina desabou mais no choro, pensou em  xingar Juan, já que dois anos de namoro não poderia ser encerrado por telefone.

Mas, apesar de tudo. Jéssica era forte. Vestiu uma blusa bacana e foi para o shopping. Tava enjoada de se sentir o lixo da sociedade, com ela levou um diário, onde ela anotava os seus sentimentos para exprimir para algo a sua angustia de vida.

Sentou na praça de alimentação do Shopping e escreveu:


 Me sinto um lixo. Juan não poderia terminar comigo dessa forma, sempre o amei e o tratei bem.
Por que Juan? O que vai ser da minha vida?


Até que olhou para o longe e viu Juan, em um devaneio pensou que ele a tinha seguido e pediria desculpa. Todavia, ela estava totalmente errada. Juan estava com Natasha, uma antiga amiga de Jéssica. Os olhos da menina decepcionada ficaram rubros. A vontade de matar os dois veio na mente da mesma.

Ela levantou e foi em direção a eles, Natasha olhou para baixo, Juan ficou sem expressão, e Jéssica disse:

_Otários. Espero que morram de HIV, porque eu tenho, seus lixos.

Os dois ficaram esbranquiçados. Era mentira, Jéssica não tinha HIV nem nada, e também sabia que HIV não mata ninguém, e sim diminui a imunidade da pessoa. Mas foi uma forma de se vingar naquele momento e fazer os dois perderem tempo indo para o hospital.

Jéssica chegou em casa e chorou muito. Havia sido traída por uma antiga amiga e por seu namorado. Ficou com nojo da sociedade e pensou em se matar, mas quando esses pensamentos insanos entraram em sua cabeça, ela simplesmente adormeceu.

No outro dia, Jéssica estava decidida, saiu de seu quarto, se aproximou da mureta e olhou para baixo. Sentiu um frio na barriga e não tinha certeza de que era aquilo que queria fazer. Mas mesmo assim pulou.


Pulou na piscina de sua casa da mureta do seu quarto, se sentiu bem ao cair na água. Depois estava decidida a mudar de vida. Não choraria por Juan e largaria a faculdade de Direito, porque a vida é curta demais para vivermos a vida dos outros.

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