domingo, 21 de julho de 2013

Pra sempre culpado


Ele acordava todos os dias às quatro da manhã, tomava banho, fumava maconha, se masturbava vendo aqueles velhos pornôs sem graça. Pegava dois metrôs, entrava em seu escritório que ficava no centro de São Paulo e escrevia artigos para um grande jornal de circulação nacional.

No trabalho todos os respeitavam, ele fazia com que os outros jornalistas se sentissem um lixo. Parecia ter uma vida perfeita, mas dentro do seu mundo particular, ele tinha um vicio. O vicio da pornografia.
Via filmes dos mais variados temas. Era pervertido ao extremo, olhava as mulheres de cima a baixo. E por trás de toda essa depravação existia uma pessoa triste e melancólica, que vinha de um passado obscuro e sangrento.

Toda essa dor e angustia começou quando a Irmã dele morreu em um acidente de ônibus. Sua família tinha entrado em um drama. Se bem que sua família agora seria formada apenas por seu pai e ele. Já que sua mãe havia abandonado os filhos alguns anos atrás. Porém, ninguém sabia o motivo do abandono.

O jovem começou a ser violentado pelo pai, isso aos doze anos. Já que sua Irmã havia morrido e ele tinha virado o objeto sexual de seu pai psicopata. Quando o pai nojento ficava atrás dele, ele inventava um mundo, esquecia a dor e humilhação.

Toda essa desgraça aconteceu por um longo tempo. Até que em uma noite fria de inverno, o garoto ouviu alguém batendo em sua porta, ele a abriu e era um assaltante. Ele pediu para o menino ir para seu quarto que iria roubar a casa, o garoto pediu para o ladrão lhe seguir, ele foi atrás do garoto.

Em seguida o menino ligou o computador e mostrou as cenas de estupro do pai e disse para o assaltante: “Alivia a minha dor moço? Ele tá no quarto. Me salva, por favor!”. O homem de barba cerrada começou a chorar, mordeu os beiços e foi para o quarto do pai do garoto.

O ladrão de cerca de trinta e cinco anos mordeu os lábios novamente, deixou o sangue escorrer pela beirada da boca e avistou o monstro dormindo. Ele deu um grito: “Acorda filho da puta!”. O homem acordou, olhou assustado e disse que ele poderia levar tudo.

A única coisa que o pai do garoto sentiu foi um murro no nariz, que tinha sido quebrado. O ladrão que agora era salvador pegou um taco de beisebol, pediu para o estuprador nojento virar de costas. O monstro agora chorava. Em seguida ele sentiu uma dor nas entranhas, era toda a violência e monstruosidade sendo devolvida. O homem não perguntou nada, ele apenas sabia que estava pagando.

Da porta do quarto se encontrava o futuro jornalista. Ele não estava abismado e sim feliz. Feliz por se livrar daquele monstro que acabara com sua infantilidade. Seu pai estava sangrando. Com o cu todo fudido e então o ladrão deu o revolver para o menino e disse: “Faça tua lei”.

O garoto não relutou, colocou aquele revolver calibre 38 no ânus do desgraçado e atirou cinco vezes. O suficiente para acabar com a dor. O ladrão que era salvador vendo que o menino ia se encrencar, pediu para o garoto ligar para a policia e se entregou. Mas em toda sua vida de crimes, sabia que aquele tinha ao menos, valido a pena. Pois fez justiça.

Porém aquela justiça virou desgraça. O garoto virou homem, virou profissional, virou ético. Mas tinha um impasse. Não conseguia confiar em ninguém. Vivia para ele. Apenas ele. Nada mais. A justiça feita pelas próprias mãos se tornou falha. Porque o medo saiu do pai e se inseriu no filho, que antes era inocente. Agora virou pra sempre culpado.


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Um comentário:

B. disse...

Não acredito que a justiça pelas próprias mãos, vale a pena.
Seu texto ressaltou um ponto importante, que é a história de cada pessoa. História que vai formando nossa personalidade. E isso mostra que todo comportamento/sentimento tem um porquê, uma causa, uma origem.