sábado, 30 de março de 2013

Mais ou menos

Acordou às nove da manhã, um horário que não era tarde nem cedo, em uma manhã que não estava frio tampouco quente. Um dia que não parecia que seria bom muito menos ruim. Seu cachorro estava indiferente, sua mulher que não era feia nem bonita lhe deu um breve sorriso, que não era grande, quem dera pequeno.

Se olhou no espelho, viu que não era feio nem bonito, não era pobre nem rico, não gostava do emprego, mas também não o desprezava. Vivia uma vida mais ou menos, sem bater nos extremos.

Por acaso enjoou disso, entrou em seu carro classe media e foi para uma loja de armas, comprou um revolver que não era caro nem barato, o carregou, apontou para o meio de sua cabeça e disparou um tiro.

Acordou com metade do corpo paralisado em um hospital na capital. Tinha enfim encarnado sua vida, agora tinha de vez metade de seu corpo. Assim como era sua vida. Mais ou menos, nada mais que isso.


Um comentário:

B. disse...

Acredito que o mais ou menos, seja pior do que o pouco ou o muito. Viver pela metade, não é viver de verdade. É sofrimento.