quarta-feira, 20 de março de 2013

Grão de areia

Ontem, postei um texto que dizia sobre dar valor para cada momento. E no dia de hoje, percebi o quanto somos pequenos para a imensidão de mundo. Porque cada pequena coisa ou pensamento foi idealizado por um conjunto de pessoas ou acontecimentos que fizeram chegar no contexto final. A vida não é sempre o que parece.

Estava sentado comendo um lanche para engordar ainda mais, e comecei a imaginar que dentro daquele pão existiu alguém trabalhando nas plantações de trigos, para a preparação da salsicha uma vaca/boi teve que ser criado por alguém e depois passado por uma indústria para o processamento da mesma.

Notei a cadeira que estava sentado, e passei a imaginar pessoas trabalhando na indústria de cadeiras, fui mais longe e imaginei várias mentes pensando em algo que seja resistente e maleável, logo em seguida me teletransportei para a época nômade, em que nossos antepassados se sentiram mal em ter que sentar no chão e precisaram inventar algo para se sentarem, ai surgiu a tal da cadeira.

Tudo que eu olhava, eu ia além, minha cabeça começou a se embaralhar, ficar confusa. Olhava para o vidro de catchup, imaginava todo o processo humanístico e ideológico para inventá-lo. Olhei para minha camiseta, lembrei dos homens das cavernas andando peladões.

Praticamente engoli aquele lanche, porque já não estava aguentando mais toda aquela confusão em meu cérebro. Levantei e perguntei para o cara : “Fera, quanto que é?”. Pensei, fera? Por que fera? Tá, eu não sei. Então dei uma nota de dez reais para ele e me lembrei do escambo. E pensei: “TO FICANDO LOUCO”.

Atravessei a rua, pois o sinal estava vermelho, olhei para um carro, pensei em uma bicicleta e em todo o processo. Imaginei os trens antigos passando pelo interior de São Paulo em uma tarde nublada, como essa. Pisei na calçada, vi o amarelo e me veio na mente que alguém inventou a tinta, e outro alguém tinha denominado o amarelo por causa de alguma coisa.

Quando a brisa estava só em objeto, tava doido, mas dava para levar. E quando passou a sentimentos? Foi só eu abrir uma mensagem da minha namorada com um “Eu te amo”, que descambou tudo. Imaginei um homem na idade das trevas descendo de seu cavalo branco, depois de uma longa batalha nas colinas escocesas, dando belo de um beijo francês em sua amada. Beijo francês? Por que? Eu não sei, e não vou pesquisar agora, ok?!

Mas quem inventou esse bicho que chamam de amor? Quem disse o que é amor? Quem falou que é o amor? Existem milhões de textos na internet tentando falar o que é amor, cada um com um pouquinho de vivencia, cada qual com um pouco de verdade completando uma imensidão de significados.

Internet? Quem inventou a tal da internet? Quem inventou o computador? Quem inventou os blogs? O que cada pessoa dessa passava? Sofriam? Amavam? Faziam faculdade? Gostavam de ler Paulo Coelho? Ouviam Raul Seixas?

O mundo é gigantesco para nos colocarmos em um pedestal. Imagine que existem mais de 7 bilhões de pessoas nesse mundão, e cada qual tem suas peculiaridades, suas particularidades, seus medos e anseios.

Não somos nada perto disso. Ops, perai... Um dia eu li que o nada pode ser tudo, porque segundo a teoria do Big Bang, antes do Ovo Cósmico gerar a explosão que gerou o universo, era tudo um monte de nada. Puta que pariu hein haha. Não sei mais de nada, ou não sei mais de tudo?!

Enfim, não dá para nos acharmos a ultima bolacha do pacote, porque o pacote é grande, muito grande. Temos que ressaltar nossas qualidades, é claro. Mas com pés nos chão e sabendo que o mundo é muito complexo e gigantesco para nos acharmos indispensáveis ou insubstituíveis. Somos um grãozinho de areia no meio do deserto, nada mais do que isso.

Se você joga bem futebol aos 12, tem alguém com 11 que joga muito mais que você. Se você desenha bem aos 15, existe alguém no mundo que com 13 desenha muito mais. Essa é a vida, aprenda com ela!


Um comentário:

B. disse...

Que texto phoda, Del Trejo! Gostei de todas as divagações, reflexões, das perguntas em aberto. Estava pensando nesse assunto há um tempo atrás e até escreverei sobre ele, quando tiver tempo, mas não fui tão fundo quanto você. Sua mente viajou no tempo. Muito bom!