quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Então o sol nasceu

Perambulava por uma estrada sombria, sem um caminho verdadeiro, como se estivesse arrastando meu cajado cheio de marcas de desconsolo, meu olho estava fosco e sem um brilho, como se estivesse a um passo de se encurralar em um labirinto sem saída.

Vida deprimente e sem sentido, era apenas isso que eu pensava, não tinha lá um grande objetivo, a esperança já tinha se dissipado pelos dedos do sistema, a árvore da amargura estava devorando minhas entranhas e já chegava perto do meu coração.

Até que em uma noite qualquer, em um dia qualquer, vi um sol se abrir, meus olhos começaram a se abrir novamente, vontade de viver retornou e em alguns momentos chego a pensar que não existe impasse algum capaz de tirar tal serenidade.

Não me lembro exatamente como estava antes, mas não era algo proveitoso, sei que não estava me fazendo bem, e a loucura pessoal estava perto de se aproximar, a repreensão, o medo, o anseio, as decepções, as dores, um coração calejado, revoltoso para com o mundo, finalizado por uma vida sem sentido.

Só existe um antes e um depois, não mais que isso, acho que o passado está enterrado. Todavia, em alguns momentos a dor perambula meu semblante, uma tristeza estranha torna a bater em meus pensamentos.

Quando esses momentos nebulosos retornam, me lembro do nascer do sol, me lembro do luar, das estrelas, de olhos castanhos claros, sorriso, bobeiras, brincadeiras, carinho, compreensão, e o pequeno vestígio de dor vai embora, da mesma maneira que veio.

A paz reinou, e acredito que tudo tenha um sentido nessa vida, nada de acaso, nada de poucos acontecimentos. Acredito que um dia, seja quem for, foi lá e pincelou esse encontro, e atualmente meu maior desejo é que não seja como a estação que estamos. Não quero voltar outrora ao que eu estava, porque aquele sentimento é cruel, é um lábio mastigado, uma lágrima encapsulada, uma adaga enfiada no peito.

Queria acreditar em alguma entidade divina para agradecer, mas já que esse credo não bate com minhas concepções, eu agradeço a qualquer ser, seja como tenha acontecido, hoje eu queria agradecer.


2 comentários:

R. B. Mattozzo disse...

quando nós queremos, sempre conseguimos sair do lodo e ir para o lado mais limpo e agradável da vida... Seu texto é muito bonito, forte, impactante... Admiro tu e teu blog, abraços

R. B. Mattozzo - Blog Diretrizes da Vida

B. disse...

Como é bom se sentir assim, como é bom deixar o passado no passado, literalmente. Como é bom vê-lo feliz, meu amigo. Toque a sua vida, olhando para frente e desfrutando de todas as pessoas e momentos significativos que a vida te proporcionou. Seu texto é de uma emoção incrível. Adorei, mesmo.