sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um tal de Renato

Homem de porte médio, não era magro nem gordo, não era inteligente muito menos burro, tinha uma namorada que não era bonita nem feia, não era legal nem chato, um emprego que não ganhava muito mas também não passava necessidade, um carro do meio da tabela, 1.6, nem forte nem fraco. Uma vida mediana, sem estar nos extremos, algo bom para seu conforto emocional e psicológico.

Era uma quinta-feira qualquer, Renato saiu do trabalho e foi para sua casa, chegando no conforto do seu lar não encontrou Emanuele, pegou uma xícara de café, sentiu a cafeína subindo entrando em contato com seu cérebro e sorriu.

Adentrou em seu quarto, chutou a bola com símbolo do Bayern de Munique, pegou uma foto de Emanuele que estava sorrindo radiante, Renato se sentou em sua mesa, o ventilador girando, o quarto fechado porque não gostava do Sol, achava que ele ofuscava seus pensamentos, puxou do chão um caderno com várias músicas e começou a compor algo para sua amada que dizia: “A vida não é um simples passar de datas, e sim um viver intensamente”.

Olhou o que escreveu e sentiu um ar irônico, e pensou que era um advogado que ajudava casais decepcionados a buscar um acordo, e tinha jogado o sonho da música no ralo desde que um dia lhe falaram: “Você não serve, não causa impacto”.

Deixou de causar impacto desde então, passou a levar uma vida mais ou menos, mas apesar dos pesares tinha alguém que ele amava estar junto, e esse alguém era Emanuele, mas onde estava sua linda nesse momento?

Renato ligou para ela, só dava caixa postal e em outro cenário lá estava ela transando com um cara dos extremos, sim, ela estava traindo o mais ou menos Renato. Como ele confiava demais nela, acreditava que algo do tipo nunca voltaria a acontecer, ao menos não em sua cama. Sim, Renato era corno manso.

Começou a tocar violão e a cantar sem medo de soltar sua voz roca e até certo ponto estranha, estava feliz fazendo aquilo porque acreditava que era possível ficar bem apesar dos pesares. Não importava o quão maçante era sua vida, porque no fim tudo daria certo, não é assim como os poetas dizem?

Quando menos viu, era 1 da manhã e nada de Emanuele, Renato deixava seu celular jogado para lá quando estava compondo, não se importava com o mundo externo quando fazia o que mais amava, e quando pegou seu celular viu uma mensagem: “Cansei do meio termo, adeus Renato”.

O rapaz ficou desesperado sem saber o que fazer, foi para a cozinha, puxou um Black Label e tomou alguns drinques, coçou a cabeça, não ligou para a moça, sentou na varanda, notou um cachorro trepando com uma cadela na rua, viu um jovem fumando cigarro, puxou o seu também e começou a olhar a lua se sozinha, ta, nem tanto, porque tinha Jupiter ali do lado, mas poxa, Jupiter é tão pequeno perto da imensidão da Lua.

Pensou como era filho da puta em fazer tal analogia, ficou triste e pensativo. Duas frases vieram na sua mente, um “Não causa impacto” com um “cansei de meio termo”, porra Renato, não vai se matar né caralho?

Não, Renato não ia se matar, levantou da varanda, foi para o quarto, assistiu um filme pornô, se masturbou ( agora essa seria sua vida ), jogou Assassin's Creed, abriu seu armário, rodou as roupas e viu sua rouparia negra dobrada e deixada de lado, puxou uma camisa do Uchiha Itachi e a vestiu, depois pegou uma Kunai e começou a fingir golpes, como aprendeu com o Hatake Kakashi.

Abriu sua gaveta e puxou uma foto do seu time chamado “Garotos do Mal”, campeão municipal, começou a imaginar todos os momentos com seus grandes amigos, e começou a ligar um por um.

Jonas mandou ele se ferrar e perguntou por que ligou 5 da manhã, Eduardo falou que o amava, Jean não atendeu, Guilherme falou que ele era gay e Manoel disse que deveriam se ver e fumar maconha como na jovialidade, eu escrevi maconha? Não, tomar cerveja haha.

No outro dia, Renato se levantou, trocou de camisa, dessa vez pegou a camisa do Del Piero quando atuava na Juventus, foi no seu emprego e pediu demissão, saiu de lá feliz, de chinelos havaynas, short do Napoli e camisa de futebol.

Sentou em um café e começou a ler um jornal, viu vagas para um vestibular de uma escola federal e viu por lá :”Música”, chegou em casa e fez a inscrição, estudou feito o diabo e passou, agora ele estava disposto a se reerguer, cansado de reclamar, passou a viver.

Ah, e a Emanuele? Engravidou do cara que vivia nos extremos e virou mãe solteira, porque ele não era Jonatan estudante de Medicina em Jaboticabal e sim Fernando, desempregado que vivia em Assis, mas segredo, porque ela ainda está procurando o pai do seu filho.


Um comentário:

Brenda Matoso disse...

nossa eu não sei se dou risada dessa mulher ou se lamento por ela ashuahsuhuashua gostei muito do texto bjs bjs

até apróxima