segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Assassinos do diabo


Marcelo Augusto era um jovem de dezoito anos, tinha 1,84 m, cabelos e olhos castanhos, era uma pessoa marcante e convicta, uma pessoa normal aos olhos da sociedade considerada “normal”. Todavia Marcelo tinha um segredinho um tanto quanto peculiar, era um assassino em série.

Seus crimes eram límpidos e sem vestígios, era talvez o melhor assassino de Presidente Prudente, cidade média do interior paulista. Costumava cobrar cerca de 5 mil reais por cada homicídio e fazia parecer que eram simples acidentes domésticos ou de trânsito. Conhece alguém que morreu de causas naturais ou acidentes no pontal do Paranapanema? Bom, posso te dizer que pode não ter sido causas tão naturais assim, e muito menos um acidente automotivo.

Era amigo de João Miguel, outro matador de aluguel, João era mais brutal em seus homicídios e cobrava um pouco menos que Marcelo, mas até hoje a policia não chegou nas digitais de seus brutais crimes.

Marcelo entrou em depressão, achava que aquilo era extremamente nojento e sem sentido, viver para tirar vida de outras pessoas, era como se fosse um “assassino do diabo”, e aquilo estava lhe machucando, queria mudar de vida, ir para longe ou fazer alguma coisa diferente.

Uma sexta-feira qualquer, João e Marcelo estavam tomando cerveja em um barzinho, e João disparou que eles poderiam mudar de vida, irem fazer faculdade em Curitiba, e Marcelo concordou e resolveram pararem de assassinar pessoas e estudarem por um ano para passarem na Universidade Federal do Paraná, o curso escolhido era História.

Ambos arranjaram empregos, João era mais sagaz e conseguiu em um escritório de advocacia, já Marcelo preferiu arranjar algo mais braçal, porque acreditava que precisava descontar seus desejos físicos em algum lugar, então virou pedreiro.

Todas as noites, os dois estudavam até de madrugada, até porque ambos tinham insônia. Marcelo costumava sonhar com suas vitimas, já João dizia que seus sonhos eram com uma caricatura diabólica.

A prova veio, os dois foram muito bem, logo saiu o resultado e certo dia, pegaram seu Vectra 2009/2010 da cor preta e rumaram para o Paraná, Marcelo e João estavam extremamente felizes com a mudança de vida, afinal, agora eles iriam ser pessoas dignas.

Em um trecho denominado a “curva do diabo”, próximo à Maringá, Marcelo sentiu uma certa tontura, e uma Caminhonete S10 acabou colidindo com seu carro, inevitavelmente o mesmo caiu na ladeira capotando diversas vezes.

Marcelo se levantou, se sentindo estranho, porque estava bem, sem nenhum ferimento, até que olhou para o carro e lá estava seu corpo, todo ensanguentado, João estava do seu lado morto também, até que o espírito de seu amigo apareceu do seu lado, não entendendo nada eles avistaram um ser saindo da caminhonete, o ser era todo escuro sem nenhuma face ou expressão até que ele disparou:

_Chegou a hora de vocês, vulgos assassinos.

_Quem é você?! _gritou Marcelo.

_Sou o seu ex-patrão._logo respondeu.

_Patrão!? Que porra é essa? _totalmente assustado perguntou João.

_Lembra aquela brincadeira que vocês disseram certa vez, falando que eram os “jagunços do diabo”, bom , não era uma total mentira, mas diferente do que pensavam, vocês receberam seu salário, agora irei requisitar o que é meu por direito, já que não querem mais matar ninguém. Vocês não me servem para mais nada.

Ambos ficaram esbranquiçados, e então Marcelo se lembrou dos ensinamentos religiosos que teve no inicio de sua adolescência e tentou se defender:

_Mas eu e o João nos arrependemos, estávamos até mudando de vida, isso não é justo.

_Justiça?! ( Uma gargalhada rouca, que parecia resgatar gritos eternos de dor rugiu daquele ser misterioso ) . Nada que vocês fizerem irá apagar o seu passado de devassidão e podridão, aceitaram o fácil e irão aprender o que é dor e sofrimento. Todos os dias por mil anos irão sentir as dores que fizeram nos seres que mataram por dinheiro. Agradeço pelo serviço prestado para mim, até porque todos que mataram não valiam absolutamente nada. Todavia, vocês se venderam e irão sentir a dor até o fundo da alma.

Até que do chão brotaram pessoas sobre pessoas, cada qual com as ferramentas utilizadas em seus assassinatos, nenhum dos dois podiam se mexer até que o diabo uivou e levou todos para a profundeza do inferno, para pagarem por suas dividas que fizeram no mundo terreno.


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