terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vamos dar um pouco de tempo

Não sentia fome, nem frio. Lá estava um homem alto, cerca de 1,85 m, olhos castanhos claros, cabelos lisos, sentado na praça da cidade de Alvorada.

Estava lá fazia mais de cinco dias, sem se movimentar, sem camisa, olhar vago, todos o olhavam, mas ninguém sequer queria saber quem era aquele homem. Todos estavam ocupados demais com suas vidinhas inúteis, e não tinham tempo para perder com um “mendigo”.

Até que certo dia, Jaqueline junto com Vanessa passavam perto do homem misterioso e perguntaram quem ele era e se queria algo, o sujeito estranho simplesmente sorriu. As jovens não entenderam o sorriso, e continuaram a tentar entender aquele ser misterioso.

Sem uma palavra dita, o homem se levantou, se espreguiçou e enfim disse algo:

_Vocês me notaram, é o suficiente.

Sem entender nada, as meninas se despediram e foram embora. Até que quando olharam para trás, o misterioso homem havia desaparecido, confusas, foram para casa, onde a mãe de Vanessa as esperavam com um delicioso almoço.

Há alguns quilômetros dali, próximo ao limite de município de Alvorada com Mattos, estavam vários homens, com trajes angelicais, espadas, capas escuras e olhos vermelhos, eram anjos da morte e da destruição, e era notável o desejo sombrio de sangue no olhar de cada um. Até que surgiu o homem que estava sentado na praça, só que com um capuz branco e um grande tacape, e disparou a seguinte frase:

_Ainda existe esperança, vamos dar um pouco de tempo para os humanos.

E desapareceram, junto com a brisa da primavera, com o vento empoeirado, indo embora, sem avisos prévios ou possíveis retornos futuros, apenas foram embora.


Um comentário:

B. disse...

Impressionante como um texto tão curto, pode causar tantas emoções ao leitor. Como você diz 'incrível' Del Trejo. Um de seus melhores textos.