sábado, 17 de novembro de 2012

Uma época em que eu acordava para brincar

Uma Sexta-Feira qualquer, fui em uma festa da família depois da formatura de minha prima na chácara de meu tio, um lugar arejado, bacana, espaçoso. No momento em que subi a escadaria da praça central de festas em direção da casa, um turbilhão de lembranças veio à tona, meu cérebro começou a amarrar de tantas memórias passadas.

A cada passo dado, uma nova imagem, uma nova jornada. Lembro de quando eu, meus irmãos, meus primos e primas andávamos de carrinho em volta da casa, era uma corrida irresponsável e totalmente maluca. Mais adiante comecei a me lembrar das mesmas voltas entorno da morada, só que nessa época os carrinhos foram trocados por patinetes de metal, todavia, a “loucura” e inconsequência eram as mesmas.

Lembro também de um curral corado de tinta vermelha, pelo qual diziam que não poderíamos encostar, pois manchava muito a roupa. Só que era difícil eu não sair todo vermelho de lá. Além do episódio II de Star Wars que era para passar no SBT e não passou, karaokê, andanças de cavalo, brincadeiras de esconde-esconde, balança caixão. Lembranças confusas, o tempo parecia ser todo embolado, tudo parecia uma coisa só. E na verdade era, estava tudo na minha memória, na minha vivência.

Comecei a me questionar, o porquê de eu ter aquela sensação apenas naquele lugar, por que isso? Milhares de sensações, o passado estampado no meu presente, o ontem se fundiu com o hoje, e me restam apenas lembranças, ótimas lembranças.

Antes que eu pudesse pensar qualquer coisa, lá veio minha prima, e como dizia o cantor de belas músicas sertanejas de raiz: “Lá vem a doutora”. Observei, vi um semblante feliz, que lutou por aquela conquista de graduação e sorri também.

Sorri por ela e por mim também, porque eu sei que eu já fui feliz, em um passado nem tão distante, afinal, tenho apenas 18 anos, completarei 19 daqui alguns dias, mas o que importa é que eu já desfrutei da felicidade, em uma época em que eu sorria apenas por sorrir, brincava apenas por brincar. Tinha o coração puro, sem malicias, sem anseios capitalistas, tão pouco desejos carnais. Era apenas um menino de cabelos encaracolados que queria acordar mais um dia para brincar, apenas brincar, e ser feliz, é claro.


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