terça-feira, 20 de novembro de 2012

Importa o que você é

O passado nos condena? Essa pergunta é frequente na cabeça de muitas pessoas. Existem muitos pensamentos voltados nessa frase, como se o ser humano fosse imutável, incapaz de mudar.

Errar é humano, e ser humano já é estar suscetível ao erro, menosprezar essa característica não passa de uma “bela” e arrogante maneira de mentir. Não existe ser perfeito que acerte em todas as suas escolhas, é impossível estar sempre certo.

O gosto da vida está ai, em poder errar, acertar e aprender com a vivência. Hoje você é assim, é claro que por trás de uma pessoa existe uma formação pessoal que inclui uma família, educação, cultura entre outros pontos. Todavia, o passado é uma mera estatística.

Em cada 2 milhões de decolagens de aviões, apenas um cai. Mas imagine que nesse um esteja seus pais, irmãos, namorada ( o ). Me diga a verdade, para que você usou essa probabilidade tão baixa?

Nesse caso, números podem enganar assim como o passado. Uma pessoa não pode ser julgada pelo que ela foi algum dia, não importa se seja ponto positivo ou negativo. O hoje é a parte mais importante do tempo, não é passado nem o futuro, é o hoje.

O passado está em nossas costas, o presente está em nosso alcance, o que importa é o agora. E o futuro? O futuro é a obra do presente, ninguém sobe uma escadaria sem dar o primeiro passo, ninguém vira médico sem dar a primeira boa lida em um livro de Biologia.

Julgar uma pessoa pelo seu passado é uma mera ilusão, uma forma de condenar, sem absorver o novo, o agora. As pessoas mudam, somos mutáveis. O meu eu de hoje não é o mesmo de ontem, nem o de amanhã. Fazendo uma analogia, poderíamos colocar nossos atos como uma caneta permanente e nossa vida o quadro.

Tudo que fizermos vai estar nesse quadro, com o tempo nossos atos vão apagando, mas quanto mais sombrio e escuro for a “escrita”, mais difícil de ser apagado ela se torna.

Esse é o preço de ter atitudes nebulosas, a tinta se torna negra e ruim de ser tirada. Afinal, nossa sociedade é tão barbara, que parece prestar atenção apenas nos defeitos, ninguém elogia, e nesse jogo de querer o mal alheio, vamos vivendo nesse mundo sombrio, onde a resposta de qualquer coisa fica cada vez mais inacessível.

Então deveríamos esquecer o passado de uma pessoa? Bom, ai já é demais, é claro que temos que analisar o conteúdo atual de cada humano. Mas, assim como estatística, o passado serve para nos darmos uma noção do que é mais provável de acontecer. E assumir esses números é por conta e risco de cada um.

Mas caso a pessoa demonstre que recuperou a dignidade mesmo depois de um passado obscuro, creio que não tenha o porque de não lhe dar uma nova chance.

Porque não importa o que você foi, o que realmente importa é o que você é atualmente.


Um comentário:

B. disse...

Del Trejo, esse texto relata como é a situação de verdade e nos faz refletir. É dessa forma mesmo e você até aprofundou no assunto. Digo que não podemos apagar o passado, porque ele desencadeou o que somos hoje. Mas também, ficarmos presos em algo que já passou, nos corrói por dentro. Mesmo que você tenha superado, aquilo parece não sair do seu interior e com o 'auxílio' das pessoas que só lembram o que você tem de ruim, isso torna-se ainda mais difícil. Eu confesso que vivo de passado, mais do que o presente. E ainda não consegui encontrar a saída para este problema. Enfim, ÓTIMAS palavras. Parabéns *-*