sábado, 20 de outubro de 2012

Uma partida de cada vez

O mundo conspirador jogou as cartas, um três de paus jogado na mesa, a minha mão estava tão fraca quanto desconsolada, a voz gritava “Você já perdeu, seu dia já se foi, como tantos outros”.

O olhar ofuscado, lembrei da vez em que me disseram “Perdedor, você não passa de um perdedor”, a lágrima começou a escorrer, o medo pairou, não sabia o que fazer, valete de copas na mão, a vira estava no quatro, apenas um cinco me salvaria.

A vida estava jogada, mais um dia estagnado, sem sentido, sem voz, sem absolutamente nada. Tudo jogado no abismo, assim como aquela bola 15 que ficou na boca, e mais uma vez perdeu. Assim como aquele amor de anos antes que foi jogado na indiferença, restando apenas mensagens bobas trocadas. Um tanto de “Estou aqui de bobeira” e queria dizer “Vem aqui comigo”.

O jogo ramificado em um “Você é linda”, disfarçado em um “Eu te amo”. O mundo passou, os anos se foram e nada foi dito. A vida desesperada, o olho lacrimejante, mas o valete estava na mão, aquilo era um jogo sem sentido, mas que significava muito.

O media player tocou de novo, “Hoje é seu ultimo dia? Poderia ser”, a vontade jogada no abismo, as entranhas estavam doloridas, a alma calejada, o fim está próximo, tão próximo em uma altura de nem duas décadas alcançadas.

Solidão sobrevoa aquela mesa árdua, duas doses de Velho Barreiro foram engolidas, o álcool parecia fazer efeito, a mão estava fraca, a vida estava fraca, monótona, tardia, sem graça. E do nada um grito entusiasmado:

_TRUUUUUUUUUUUUUCO!

O adversário se impressionou, disse não, perdeu aquela mão, e estava um dia vencido, um abismo de cada vez, ou melhor, um desafio de cada vez, uma hora de cada vez, uma batalha de cada vez.

E fui lá e desliguei o rádio, afinal, esse dia estava por florir e não para se reclamar, porque a vida é muito maior que reclamações, a vida é muito maior que decepções.

Salve sua vida, um passo de cada vez, uma hora por vez, uma partida por partida, um desafio por desafio.

E o depois? Bom, o depois deixa pra lá, assim como disse meses antes, anos antes, não sei. Para mim tudo que foi dito já foi extravasado, já foi sentido, mas constitui a minha história, talvez a sua, se essas linhas tênues, tortuosas lhe fazer sentido.

E é isso, reflita bastante sobre essas linhas, não deixe o medo lhe tomar conta, faça valer a pena de verdade. Não exista, viva.


Um comentário:

Caroline Luft disse...

É bom ler algo que nos dê um empurrão, hoje estou decidida a fazer tudo diferente só por ler isso. Não deixar mais que nada caia nos abismos, não deixar que o amor torne-se indiferente e estabelecer metas não apenas para o futuro, mas para hoje, HOJE eu vou fazer alguém sorrir, HOJE eu vou ser feliz, HOJE eu vou ser diferente.