quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Certa estranheza

Quinta-Feira, dia 04 de outubro de 2012. Hoje acordei com uma sensação estranha, não sabia exatamente o que era, acordei atrasado, perdi a hora, perdi o ônibus, então voltei pra casa sem saber o que eu estava sentindo.

Fiquei poiando em casa, até que decidi ir para a faculdade, no caminho estava cheio de ideias desprovidas, enquanto respirava o ar puro do parque do povo de Presidente Prudente, cidade que eu nasci.

Em mais um típico delírio que se tornou costumeiro em minha vida, imaginei que pudesse materializar tudo e estava fazendo uma grande reforma no parque, construindo praças, campos, bancos e lugares para descansar, e tudo com minha assinatura, Reinaldo Del Trejo. E sim, eu tenho “adoração” por Narciso, ou sigo os passos dele me vangloriando.

Até que enfim cheguei na faculdade, subi dois andares, lembrei que eu precisava de cafeína, porque eu já estava estimulado e essa droga permitida iria me fazer ficar mais entusiasmado ainda.

Desci os andares, parei em frente da máquina de café, resolvi vasculhar meus bolsos, mochila e carteira na busca das mais variadas moedas, consegui desembolsar o preço do café, e no momento em que o maquinário estava processando a bebida, senti o cheiro entrando pelas minhas narinas, o que me levou à uma momentânea transe, sorri e senti meus olhos brilhando.

Enfim voltei para o meu destino, a biblioteca. Pensei em pegar uma revista Super para me inspirar, e lembrei que tenho um antigo amigo do Raul em minha mochila.

Eu tenho uma pessoa em minha bolsa? De certa forma sim, já que a escrita pode decifrar todo um ser humano, e é sim um pedaço da personalidade de quem a fez. Tenho um livro do Paulo Coelho e queria desfrutar desse gênio da escrita.

Adentrei no espaço da leitura, que é gigantesco por sinal, pensei em sentar em uma mesa individual, até que avistei uma mesa coletiva vazia, em um local propicio para uma pessoa folgada igual eu ler, com espaço.

Fui para lá e no lado havia outra mesa, que é repartida por uma divisória de vidro, avistei uma garota loira, olhos claros, linda. Nossos olhares entrelaçaram, fiquei sem jeito e sorri, imprevisivelmente ela sorriu também, desviei o olhar e joguei minha mochila na mesa, afinal, estou aproveitando o meu eu e não vou ficar dando em cima de bacharéis em medicina ( ao menos hoje não ).

Abri minha mochila, tirei meus cadernos, um dicionário e o Paulo Coelho ( ops, o livro do Paulo Coelho, Onze Minutos, que é incrível). Para ler Paulo Coelho é necessário um dicionário, cheguei nessa conclusão nas trinta primeiras páginas, mas o livro é muito bom, tirando as palavras categóricas que me fazem me sentir um estupido ao não saber defini-las.

Li quase uma hora sem interrupções, e então pensei em mandar uma mensagem para pessoa x, só que eu estava tão bem comigo mesmo, que preferi não chegar a conclusão que essa autoestima não resulta em nada, ao menos em alguns casos.

Preferi pegar um papel sulfite e comecei a escrever esse texto, não sabia quando iria postar, mas tinha certeza disso, e olha eu aqui digitando no mesmo dia que escrevi ( risos ).

Certa estranheza bateu no meu peito, estranheza porque eu estava feliz apenas por estar vivo, por existir, não tinha um porque escrito, escrachado e era/é uma felicidade espontânea, sem me importar com o que as outras pessoas pensam ou deixam de pensar de mim, e isso foi bom, muito bom.


Nenhum comentário: