quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E o monstro colocou seu pai no Asilo

Gabriel Vulgo de Nascimento completou 101 anos ontem, dia 25 de setembro, comemorou seu aniversário no isolamento proporcionado pela idade, vulgarmente chamado de “casa de repouso”.

Em suas tantas histórias, comentou como foi lutar na revolução constitucionalista, como conheceu sua falecida esposa Maria, como foi lutar para pagar a faculdade de seu filho, que se formou em Engenharia Civil em uma universidade particular, desabou em choro ao se lembrar da última frase que seu filho lhe deferiu ao lhe largar na porta do Asilo Nossa Senhora das Graças:

“ O Senhor está velho, está atrapalhando a minha vida”.

Palavras duras ditas à cerca de dez anos atrás, que desmoronaram o antigo revolucionário, antigo pedreiro, antigo galante, antigo lutador, antigo ser humano, que foi abandonado por aquele pelo qual sempre batalhou.

Seu filho nunca mais foi lhe visitar, o que sobrou para o senhor centenário foram as lembranças, memórias de uma vida sofrida e batalhada. Que se acabou aos 91 anos, quando foi jogado no asilo de São Bernardo do campo, não que ele não goste da companhia de seus amigos vovôs, só que esse é o fim vazio para uma vida tão complexa.

Essa história é fictícia, inventada por mim, Reinaldo. Só que acontece em várias cidades do nosso Brasil, do mundo. Não importa se seja na minha pacata Pirapozinho, ou em sua capital Porto Alegre, esse relatos são frequentes em toda a nossa nação.

Hoje no Brasil, existem mais de 90 mil idosos estacionados em asilos. É claro que uma boa porcentagem desses “velhinhos” não tem família, e é até uma maneira de eles não serem atingidos pelo vazio da solidão. Entretanto, dentro desses 90 mil, a maioria tem família e foi jogado em um asilo, para evitarem impasses ou coisas do tipo, e são esses casos que questiono.

Impasse? Um pessoa que tem uma história, que lutou pelo grupo familiar pode ser jogada para escanteio fácil assim?

Quanta desumanidade, escrevo essas palavras repleto de nojo, e se você leitor, jogou algum parente seu na escuridão da indiferença, digo o seguinte, você é bem filho da puta e nojento.

Jogar um ser humano que tem uma história repleta de lutas, anseios, sonhos, desejos em um lugar cheio de desconhecidos. Para que? Para se livrar de alguns probleminhas, como exemplo, falta de higiene, deixar o fogão aceso, remédio a serem dosados e coisas do tipo?

Coloque a mão em sua consciência e pense: “ Quem joga no asilo, exilado será”. Você que fez isso, espero de coração que você seja jogado em um lugar do tipo e que não consiga amizade alguma nesse refúgio. Toda premissa gera uma consequência, e mesmo não crendo em nada divino, espero que a justiça seja feita. Espero que você, ou seja quem não tenha respeitado a humanidade se foda legal na vida, que se foda mesmo.

Todos nós vamos envelhecer, se não morrermos durante nossa jornada, mas o fato é, somos humanos, temos que respeitar o ciclo vital, e se você acha que manter sua vida equilibrada, sem impasses que um “velho podre” pode lhe trazer. Digo o seguinte: “Você é um monstro”.

Uma pessoa idosa tem muita história para contar, muita vivência, muita cultura, muito conhecimento, muita batalha. Indiferente de níveis sociais ou educacionais, um ser humano velhinho tem muita experiência para ser partilhada, doada.

Temos que aperfeiçoar nossas visões sobre vida a partir de vivências alheias, e gostar da história contada, e não ficar acenando com a cabeça e mexendo na bosta do seu Facebook quando seu patriarca ou matriarca está falando de sua história vivida.

Respeitar a história alheia é a melhor maneira de construir a sua história. Sendo assim, termino o post dizendo, respeite os idosos, principalmente se for algum parente seu. E pense, quem lutou pela consolidação de sua família?

Foi você? Que só pensa no seu rabo, e está nem ai para os outros?

Nesse caso, a gratidão deve ser destacada. Pense nisso.


2 comentários:

B. disse...

Assino embaixo Sr. Del Trejo. Estava pensando sobre este assunto, há um tempo atrás e realmente você tem razão em tudo o que disse. Certa vez eu fiz um trabalho escolar e fui à um asilo. Alguns falavam que até lá, eles não eram tratados bem. Acho que essa reflexão irá gerar um post futuramente. No mais, que texto crítico mais phoda, haha

reinaldo del trejo disse...

Bia: É bem complicado. Usurpar e jogar fora.
É um dos piores atos, sendo a ingratidão um defeito muito grotesco.
Se você fizer um texto a respeito, sem dúvida vai ficar muito bom!
No mais, é isso...Grande Abraço *-*