domingo, 15 de janeiro de 2012

Escadarias da vida


Sentei na escadaria da minha vida, e olhei para frente, não sei exatamente o que via, era algo nebuloso sem uma forma definida.
Fixei meu olhar para aquela forma longe de qualquer descrição que minha retina poderia decifrar, meus olhos brilharam, me levantei, senti todo um cansaço entrelaçando em meus pés, mas mesmo assim, fui em direção da nuvem embaçada.
Cheguei próximo, o clima começou a mudar, meus pensamentos voaram junto com a temperatura, senti um grande calafrio em minha espinha e passei a sentir uma breve presença, que de uma forma estranha sussurrava em meu ouvido.
Minha pupila dilatou de forma que todos os meus medos ficassem estagnados na escuridão de meu olhar vago.
Senti algo me puxando, mas já me encontrava tão sem reação que não consegui me defender, até que vejo que meu corpo estava parado e estava saindo dele, olhei para trás e vi algo estranho, era um ser extremamente igual a mim, sim, era outro eu, que não dizia nada, até que de forma brusca ele puxou meus braços e olhou de forma fixa em meus olhos.
Um olhar castanho diferente de qualquer outro que eu já tinha encarado, afinal, era o meu olhar, um olhar que defino de forma melancólica, um olhar onde existem sonhos, ambições e muita coisa a conquistar.
Olhei cerca de cinco minutos, e foram cinco minutos de assustar, uma face sem reação a nada, até que de forma tremula eu perguntei:
_Quem é você?
O silêncio pairou o rosto daquele ser que era tão comum para mim, mas mesmo assim, era vazio, diferente, até que ele abaixou o rosto, o ergueu novamente, e olhando para cima da forma mais estranha o possível, ele sorriu, um sorriso irônico, até que ele olhou para mim e disse:
_Responda você, quem é você?
Uma voz mais trêmula e distorcida do que eu poderia decifrar, mas era a mesma voz que eu emitia quando estava com medo, com receio, sem resposta, era a minha voz de quando eu não tinha reação para o mundo, e essa voz realmente me assusta até os dias atuais, mas não hesitei em responder:
_Eu sinceramente não sei... Não sou algo tão lógico para descrever com apenas algumas palavras...
A coisa se é que posso descrevê-la assim, deu uma leve gargalhada que soava mais roca que o necessário e começou a falar:
_Tudo bem, mesmo você não conseguindo responder uma pergunta considerada fácil, vou dizer quem eu sou, eu sou o que você é.
Mas não ache que sou seu lado bonzinho, seu lado humano, não, eu sou a parte mais sombria do seu ser, eu sou algo que você deveria ter medo, mas não tem.
As vezes me pergunto o porque você não tem medo, deveria ter não acha?
Mas tudo bem, eu admiro essa sua coragem, mesmo sendo uma pessoa tão passiva e coesa, você tem uma coragem que eu admiro.
A coragem de encarar toda essa selva de barbárie, e considerando assim sua única e mera opinião, mas me pergunto, por que faz isso?
Com uma confusão estagnada em minha cabeça, percebi que uma gota de suor escorreu em meu rosto, um suor gelado, e como se fosse um passe de mágica, eu consegui observar aquela gota caindo de forma quase paralisada, mas precisei responder:
_Não sei, talvez esse seja o meu ser, acho que sempre acreditei em mim, fato esse que me faz dessa forma.
A conversa tinha ido longe o suficiente, tão longe que já tinha me esquecido totalmente que eu estava afastado de meu corpo, e comecei a perceber uma situação inusitada, e estava vendo aquelas fumaças nebulosas que tanto despertaram minhas duvidas.
Perguntei o que era aquilo, e aquele meu eu sombrio me puxou de forma grotesca e me arremessou para dentro daquela coisa que sinceramente, não sei mas como descrever.
Quando cai dentro daquilo, comecei a sentir meu corpo meio que solto e se movimentando aleatoriamente, e vi uma série de espelhos, e via coisas que um dia eu vivi, até que me fixei em uma imagem...
Era carnaval de 2007, a cidade era Iguaba Velha, e comecei a ver minha família unida, todos estavam muito felizes, era algo que eu sentia muita falta, uma lágrima escorreu de meus olhos, até que precisei tirar meu foco daquilo.
Comecei a observar várias outras imagens, até que observo uma cena que ficou marcada em minha vida, o ano era 2006, e lá estava eu junto com um dos meus melhores amigos que já tive na vida, que infelizmente não converso a alguns meses, e estávamos conversando sobre a copa do mundo, sim, lembro daquela época como se fosse ontem, uma época em que eu falava bosta o intervalo todo, e a maioria dos assuntos eram sobre futebol e futuras conquistas amorosas que francamente, nunca conseguíamos nada, mas era uma época que ficou guardada em meu peito.
Puxei mais uma imagem, e agora o ano era 2011, era minha formatura do terceiro ano, e vi que já se passaram muitas coisas nessa minha vida, muita coisa que essa minha cabeça começa a ficar atordoada somente de se lembrar.
Retirei o foco e puxei mais uma imagem, essa que me atordoa nos últimos meses, mas uma que me faz um bem imenso, o ano era 2009, mês de junho, e foi o mês que conheci uma pessoa que de alguma forma mudou minha maneira de considerar as pessoas, mas enfim.
Estacionei em todas aquelas lembranças e comecei a ficar desesperado, sendo que vi muita coisa passar por minha vida, e muita coisa eu deixei de dar valor, e acabo meio que desperdiçando muita coisa boa que acontece comigo...
As vezes não dou valor o suficiente para quem merece, e também, não sei se faço por mal, meio que eu sumo sem avisos ou coisa do tipo.
Eu queria pedir desculpas, juro que tentarei ser alguém melhor, mesmo que para isso eu deixe meus ideais arrogantes de lado, pois já enjoei de achar que minhas ideias são maiores que as pessoas, pois não são.
Fiquei paralisado, até que o meu eu sombrio me puxou e disse:
_Agora já sabe o que é, não é mesmo? E o que acha??
Eu, extremamente retraído pergunto ao invés de responder:
_Eu posso voltar no passado e refazer minhas atitudes que resultaram em meus erros?
_Não, não... Mas pode fazer algo que é muito melhor, você pode fazer um futuro melhor..._Respondeu de forma firme.
Compreendi totalmente o que aquela sombra estava me dizendo, e não sabia mais o que fazer, até que o outro ser se joga em meu corpo, eu pensei que ele estava querendo roubar a minha parte carnal, até que uma mão me puxa para dentro do corpo, e enfim eu estava de volta ao meu corpo.
Até que acordei assustado, e percebi que novamente, tudo aquilo não havia passado de um sonho,sonhos estes que são muito mais complexos que minha fraca capacidade de raciocínio.

6 comentários:

Aline Marques disse...

Belo texto!

fotografiasalinemarques.blogspot.com Um blog de fotografia para amantes, amadores e profissionais.

@biia_anca disse...

texto muito bom, gostei de como usou as palavras, parabéns

BEPClub disse...

Noossa, muito bom o texto.
É de sua autoria?

reinaldo del trejo disse...

Com certeza é...
Todos os textos do blog Mente Aberta são de minha autoria...
Eu Reinaldo Del Trejo que os escrevo ;D
Obrigado pelos elogios, voltem sempre :D

B. disse...

Um dos seus melhores textos. Reflexivo, confuso, mas que une os nossos dois mundos, os nossos vários 'eus'. Parabéns.

reinaldo del trejo disse...

Bia

KKKKKKKKKKKKKKKKKKK
É, muito confuso, eu adoro escrever coisas que abrem o leque para a imaginação de quem lê.
Obrigaado pelo elogio, fico feliz por ter gostado.

Beijaooo