domingo, 29 de janeiro de 2012

Descrevendo


Era uma vez um rapaz de quinze anos, que tinha muitos sonhos e ideias compatíveis com os tais.
Esse jovem sempre achou que nunca iria se apaixonar de verdade, mas a vida como sempre foi pretensiosa e lhe pregou uma peça.
Talvez a maneira pela qual esse garoto entrou em contato com essa paixão não tenha sido lá bem proporcional com seus ideais.
Na verdade ele ficou assustado e sem reação, mas preservou isso como uma grande amizade, e que o passar do calendário foi somente fortalecendo a tal.
O tempo passou, o jovem pensou que poderia evitar esse sentimento, buscou outros caminhos, se divertiu, gostou de outras pessoas, mas sempre com um vazio que perambulava o vão de seu coração.
Quando menos se vê, já se passaram dois anos e meio desde o começo da tormenta, e esse garoto começa enfim a pensar que não pode mais fugir desse sentimento tão nobre, mas ele ainda tem muito receio de compartilhar isso.
Até que enfim, da maneira mais covarde ele desabafa, mas mesmo assim, ele se sente bem, mas mal sabia que começaria enfim o começo de um dos maiores apertos que seu coração iria sentir na altura de seus dezoito anos.
Ele deveria ficar mais aliviado, talvez ficasse se esse amor fosse realmente correspondido, mas infelizmente a vida não é tão bacana para com ele, e talvez isso seja totalmente culpa de seus atos, onde ele sempre fez mais por pensar do que agir, e de certa forma esse jovem se tornou escravo de suas próprias ideias, virou escravo dele mesmo.
Infelizmente o que para ele era uma certeza, para a garota não era tanto assim, e sucessivamente, o jovem apaixonado não sabe mais o que fazer, várias ideias rondaram sua cabeça, mas nada de concreto.
Até que por acaso, de uma maneira estranha, ele se depara com aquela garota ou mulher, enfim, ficou tão sem reação, que simplesmente não sabia o que fazer ou falar, e isso foi uma peça do destino fazer uma pessoa cheia de ideias ficar sem palavras com aquele ser que ele julga tão necessário, mas essa é a vida, e ela teima em fazer coisas confusas com as pessoas.
A vida talvez tenha sido um pouco dura com esse garoto, mas ele aos poucos aprende, na verdade ele nem sabe o que fazer, sendo que ele entrou em um desespero emocional difícil de ser contornado.
A vida foi cruel com ele, assim como deve ter sido com outras pessoas, mas o que mais lhe faz sentir estranho, é a dúvida...
Sim, a dúvida, uma pessoa que sempre levantou inúmeras duvidas sobre tudo, não pode simplesmente encarar mais essa, e isso é uma puta ironia do destino, e esse começa a acarretar um novo sentimento, um sentimento que esse jovem simplesmente não consegue descrever, pois tem medo.
Medo de no fim, nada ter valido a pena, medo de não ter um valor de verdade, medo de tudo o que ele sempre sentiu, não passar de águas, passageiras, é lógico que ele sabe que isso não é passageiro, mas ele tem medo de a vida fazer com que ele deixe isso para trás.
Esse jovem descreve a vida com inúmeras palavras, talvez ele consiga decifrar pensamentos obscuros, conspirações elaboradas, mas ao mesmo tempo, ele percebe que talvez tudo não passe de uma pura ilusão, uma ilusão de que essa tenha sido a melhor maneira de fugir de si próprio, sim, fugir de seus sentimentos.
O rapaz começa a sentir constipado, parece que durante a vida, ele nunca soube encarar seus verdadeiros sentimentos, e durante muito tempo fugiu disso, seja por atos infantis, seja por teorias que ele mesmo acha difícil de ser concretas, mas sempre mostrando uma certeza que na verdade ele nunca teve.
Esse mesmo jovem não sabe o que esperar deste 2012, ele queria muita coisa, queria mesmo, mas se conseguir realizar ao menos um quesito, creio eu que se sentiria muito bem, mas essa mesma certeza parece ir embora no momento em que ele olha para o horizonte.
Ele vê o horizonte e não vê nada, não vê um depois, ele tem esperança, mas essa esperança se mostra dissipada dentro do seu ser racional, e enfim ele cai na dose de realidade que sempre fugiu.
A realidade imutável, a realidade concreta, a realidade difícil, esses são quesitos de realidade que sempre fizeram com que esse jovem fugisse de tudo para expressar seus desejos e anseios , só que agora ele vê que tudo pode não ter passado de uma grande perda de tempo.
Antes o jovem que se via feliz daqui a dez anos, começa a se ver solitário, jogado em seu mundo de ideias, e talvez nada tenha passado de um monte de merda que ele encarou a vida inteira.
Esse jovem se vê em um bar, em uma noite de sexta-feira, conversando consigo mesmo sobre a semana difícil, barba mal feita, cabelos despenteados, olhar vazio, e começa a pensar que um dia ele pensou em mudar o mundo, em que um dia ele pensou em ser feliz, e sabe que nada passou de sonhos, e o pior, esses sonhos foram quebrados pela dura verdade da realidade.
Estava descrevendo a vida desse jovem, até que ele quis ler o que estava escrito, e começou a gargalhar e me deu um leve (não tão leve) murro em minha boca, e disse insanamente:
_É assim que você me descreve? Acha que sou tão covarde de abaixar a cabeça para as dificuldades da vida?! Você acha que sou tão cusão assim que desistirei de tudo por simples obstáculos que a vida proporciona?! Você realmente não me conhece;
Em desespero e sem reação, confesso que fiquei extremamente confuso, sendo que talvez eu conhecesse aquelas palavras melhor do que qualquer outra pessoa, até que ele completou:
_Enquanto houver um brilho no olhar, enquanto houver pessoas que confiam em mim, enquanto houver amizade, enquanto houver esperança, enquanto houver amor... Estarei lutando meu amigo, e você sabe melhor do que eu,sabe que eu nunca desistirei, não importa quantos problemas existirão em meu caminho...
Observei atentamente em seus olhos castanhos claros, e observei um tom de veracidade fora do comum, como se ele estivesse com a total certeza de suas palavras, e confesso que estava mesmo, até que ele simplesmente sumiu.
Comecei a pensar em tudo que aquele “cara” me disse, e vi que ele estava com a total certeza, pois enquanto houver esperança, existe simplesmente tudo, e enfim esses pensamentos retardados sumiram de minha cabeça.
Obrigado Senhor Eu Lírico.

6 comentários:

Luz Rasteirinhas disse...

Adorei!
Parabens!

B. disse...

Texto descritivo, do seu jeito e super verdadeiro. Como sempre me auxilia a conhecer o verdadeiro Del Trejo, isso me encanta.

reinaldo del trejo disse...

Ah sim Bia, eu sou muito complicado de ser entendido, mas aos poucos você pode ir me decifrando, e lhe convido ao mesmo.

Divulgação brasil disse...

Nossa muito bom seu blog, gostei mesmo. coloca o widget de seguir preu poder acompanhar e ler sempre, ok? Abçs

Larissa Erika disse...

Querido não vou dizer que li o texto todo, sem ter lido. Porém, o texto com um conteúdo tão grande requer muita imaginação, paciência e isso realmente é ótimo de ter.

Parabéns pelo o blog.

' Cris. disse...

selinho para você: http://semrel.blogspot.com/2012/01/selinho-novo-o.html
Beijos