terça-feira, 13 de setembro de 2011

A primeira vez que matei aula


Era inicio de 2008, próximo a páscoa, na verdade, era exatamente na quinta-feira santa, fui para a escola, na mesma não tinha quase ninguém, eis que eu junto com meu irmão iríamos colocar a brilhante idéia de matar aula em prática.
Voltando algumas semanas atrás, por acaso eu conversava muito com um amigo meu, e dessa vez, a conversa era sobre os motivos para sermos tão “cusões” ( tah, esse foi o adjetivo que coloquei naquele momento ), levantei várias questões, como o por que de sermos tão quietos e obedientes, o por que de nós sempre fazermos tudo que nos era imposto, por que diabos nós nunca fomos para a diretoria, pensava que estávamos perdendo toda a flor da juventude, pensava que eu estava sendo apenas mais um nerdezinho sem nenhum tipo de vida sociável, mas na verdade eu era, pra quem estou mentindo? Até a data de hoje sou um pouco isolado dos demais desejos sociáveis, poderia me adjetivar com a palavra NERD sem nenhum tipo de problema, mas isso não vem ao caso, o que vem nesse exato momento, é o que me ocorreu nessa data, onde eu queria por que queria me mostrar o descolado, descolado, dou risada com essa frase, pois me lembro da série muito bacana que é “Todo mundo odeia o Chris”, na verdade me pareço muito com esse ser.
Já que coloquei o Chris no meio do meu caminho, gosto muito da série, pois retrata exatamente como é a vida de alguém que não é muito popular, fisicamente lembro mais o Greg (quase nada na verdade) , mas tudo bem, sem perder o foco.
Como estava dizendo, eu junto com meu amigo discutíamos o que faríamos para sermos um pouco menos isolados, na real mesmo, vivíamos naquele mundo em que tínhamos o desejo de sermos aqueles caras que todas as mulheres caiam em seus pés, pobres mortais, mal sabíamos que esse momento nunca chegaria a nosso alcance.
Plano elaborado, seriamos descolados a partir da quinta-feira santa, tava tudo nos conformes, claro na teoria, elaboramos tudo, e por acaso meu irmão entrou no meio do plano, até agora eu não sei exatamente o por que, na verdade deveria ser pelo fato de se elevar para nós.
O sinal bateu, quando me vi, já estávamos na terça-feira no final da aula, é claro que não teve aula na quarta, mas assim, na saída da sala, creio que éramos quase que invisíveis, não digo 100%, porque as pessoas desviavam de nós, enfim, éramos postes ambulantes, sem personalidade, sem caráter, sem emoção ( é ironia viu _ _” ), mas éramos quase não notáveis. Éramos, segundo nosso infalível plano, entraríamos para a história na quinta-feira, porque a partir de segunda-feira viraríamos descolados, na verdade a idéia era bem maior do que isso, pensávamos que a partir de tal momento viraríamos homens ( Perderíamos a virgindade? Que nada, mataríamos aula ), mas aquele seria o dia.
Quarta-feira passou, nem me lembro o que aconteceu, sei que fiquei jogando CS até umas 1 da manhã, já tava sentindo até a barba serrar o meu rosto, enfim, agora eu tava quase sendo um homem.
Quando nem vi, já dormi, minha mãe me acordou, e como um passe de mágica, já estava na escola, cheguei lá umas 6 e 45, e nada de meu amigo, ele sempre chegava bem mais cedo que eu, mas tudo bem, eu pensei que ele estava somente atrasado.
O sinal da entrada bateu, como planejado, não tinha quase ninguém na escola, dia ideal para virar homem, pular o muro e correr para os braços das menininhas, meu irmão me disse que era para fazermos de forma rápida, eu falei “Falou James Bond”, ri um pouco, mas já sentia meu rim ardendo e me deu até vontade de ir ao banheiro, mas sou forte.
Sentei-me na sala de aula, esperava meu amigo NERD, mas onde tava aquele lazarento? Quem sabe, até hoje ele não se explicou o por que de não ter ido, mas eu sempre soube, ele queria ser um eterno isolado da sociedade, e já eu, não, eu iria ser o foda a partir de tal momento ( Espero que estejam entendendo toda minha ironia rsrs), mas não o culpei por isso, talvez ele não estava preparado para tal ato.
O tempo passou, já me vi no final da terceira aula, e o que fiz, coloquei meu material na janela, pois o plano estava infalível, viraria homem a partir de alguns minutos, e todo meu passado nerdesco ficaria para trás.
O sinal bateu, corri para o pátio, vi meu irmão com cara de malandrão, e disse todo meu plano, que consistia em pular o alambrado de arame, pegar o meu material, pular a mesma grade, enfrentar outra semelhante, depois pular o portão e gritar liberdade, esse era o plano, meu irmão disse que ia lá e apenas pulava os dois.
Corri, na hora que corri para consumar a primeira etapa, pensava que daria tudo errado ( estava certo, maldita intuição), coloquei o pé na primeira grade, tropecei e cai de boca no chão, não sei como não sangrou, novamente o fiz, dessa vez eu coloquei minhas compridas pernas meio que no muro, pulei feito um gato, me senti meio livre, até quando eu olhei meus dedos, eles sangravam para caramba, e uma dor incrível passou a consumir minha mão, até que peguei meu caderno e voltei correndo, dessa vez a grade foi fácil de pular, mas quando fui pular a grade nº2, ai que toda a minha experiência passou a ser constrangedora, fui uma vez não consegui, duas, nada, até que vi alguns alunos ( na verdade, deveria ser todos que estavam no colégio), todos riam e muito da cena, até o Leopoldo, um coordenador de minha antiga escola veio até minha direção, ele gritou “Mata aula não menino”, eu pensei, nem o Goku faria com que eu não faça esse ato, e o pulei, novamente cai, o Leopoldo começou a gargalhar, maldito, não era nada engraçado.
Mas 2 etapas já estavam concluídas, a escola inteira riu de mim, o Leopoldo também, agora era somente pular o portão e desfrutar da liberdade, muito fácil, o portão tinha umas espécies de lanças para cima, existia um muro cheio de caco de vidro, parecia realmente uma prisão, e eu, eu estava buscando minha liberdade como citei acima, estava fadigado já, na verdade, muito é dolorido, mas olhei para o portão e corri, coloquei a mão direita sobre as lanças e joguei a perna direita sobre as mesmas, até que eu escorrego, agradeço até hoje por esta de calças jeans, e a mesma não se rompeu, mas doeu pra caramba em minhas partes baixas, até que eu cai de ponta cabeça, naquele momento eu senti toda a dor da liberdade em minhas mãos, meu rosto, em tudo, tava tudo dolorido.
Não havia acabado ainda, tinha que correr, pois a ronda escolar poderia me pegar (poderia nada, isso é mito), corri, corri desconsolavelmente, todo dolorido é verdade, mas corri em busca de algo.
Agora eu achava que seria descolado, para mim eu havia me tornado um homem, faltava apenas a barba, naquele momento de dor, eu ainda pensava nessa idiotice, até que sentei no banco da praça e comecei a pensar, como foi inútil tudo aquilo que passei, como estava doendo minha mão, como eu tava fudido para se explicar para minha mãe, como fui infantil.
Sabe, depois desse acontecido, descobri duas coisas a meu respeito, uma é que nunca serei descolado e outra, a outra é que não sei matar aula merda nenhuma.
Pense duas vezes antes de se achar o cara e sair pulando o muro viu?

Abraços

2 comentários:

Lucas Adonai disse...

kkkkkk
que aventura cara!

reinaldo del trejo disse...

kskskskskskskks, e como cara, na época foi uma das coisas que me fizeram dar mais adrenalina e ri muito depois de tudo isso
ksksskk
...