quarta-feira, 11 de abril de 2018

Foque no conteúdo

Vejo muitas pessoas criticando o português coloquial, como se estivessem em um pedestal intelectual. O Pelé dos publicitários (um tal de Washington Olivetto) falou várias e várias vezes a palavra "ADEVOGADO" na entrevista com Pedro Bial. E isso não o faz menos brilhante e genial. Então, esquece um pouco do "português perfeito" e foque mais no conteúdo. Acho que você vai um pouquinho mais longe em se aprofundar em você do que ficar procurando erros em coisas banais.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A briga entre a esquerda e a direita

Enquanto o ex-presidente Lula é preso com uma absurda rapidez, e a direita do PSDB colocou um candidato com 35% de rejeição. Todo o trabalho de reestruturação econômica e social, começada por FHC com o plano real e com as diversas ações populares de Lula, que colocaram os pobres na Faculdade e reduziu a pobreza no Brasil para níveis europeus. Aí eu, você, e todo mundo, vai ver um machista, conservador e imbecil como o Bolsonaro ser eleito presidente. Não sei você, mas eu tenho medo desse retrocesso que a briga de esquerda e direita vai causar.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Estranha engrenagem

Todo mundo um dia disse para você se formar. Foi lá e se formou e nada de diferente aconteceu. A vida que tinha um sentido estranho passou a não ter mais. Não tinha mais aulas para freqüentar, e a galera da faculdade para encher o saco.

Veio a vida de adulto. Uma coisa estranha. Quando estava empregado: ok, oito horas de trabalho e uma série de coisas para fazer. Ficava cansado, dormia. Mas depois do desemprego tudo ficou estranho e vazio.

Essa é a vida que prometeram para você. Uma mescla de crescer, ganhar dinheiro e apodrecer – um padrão criado por uma sociedade que preza o ter e não o ser, em uma engrenagem eterna sem um objetivo verdadeiro.

Morrer. Ta aí a coisa mais certa dessa vida, que assim como um antigo provérbio tibetano: “estamos a morrer a cada segundo”. Essa é a vida que você foi criado. Mas ainda assim você pode fazer a diferença. 

Encontrar alguma saída para tudo isso. Ou ficar sentado reclamando de tudo e todos. A escolha é sua. Mas não espere uma vida feliz, caso não queira sujar as mãos. Porque a escolha é sua: aproveitar cada dia ou esperar a morte – e acredite ou não, ela vai vir quando você menos esperar. 


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quarta-feira, 14 de março de 2018

Lista de objetivos atualizada


- Me Casar;
- Ter um filho;
- Levar a Luana pra conhecer o MASP;
- Morar sozinho;
- Ter um gato chamado Anakyn;
- Ter um filho;
-  Levar a Luana pra conhecer o Masp;
- Construir o meu quarto de pallets;
- Conhecer todos os continentes;
- Conhecer Buenos Aires;
- Morar na praia;
- Aprender a tocar violão;
- Aprender a nadar;
- Aprender inglês;
- Assistir  um jogo do Corinthians na Arena Corinthians;
- Conhecer Londres;
- Visitar a Bakerstreet (Sherlock);
- Subir na torre Eifel;
- Assistir um jogo de Copa do Mundo;
- Conhecer Roma (o coliseu);
- Visitar Machu Pichu;
- Ir em um show do Nickelback;
- Pular de Para Quedas;
- Comprar um Opala Preto;
- Subir algum dia em algum palco e me declarar pra alguém;
- Conhecer o dublador do Goku;
- Escrever um livro sobre ansiedade;
- Me formar em História;
- Visitar a Wall Street;
- Conhecer o Paulo Coelho.

Diário de uma viagem esquisita

Saída de Paraty – cidade mais cosmopolita que você pode encontrar. Na pousada você esbarra com um russo ou francês com cara de cu. Pega o busão para Sampa e POW. A viagem que estava em seu ponto final, chega a um Q de absurdo: gringos tagarelas, crianças gritando, mulher barraqueira, cheiro de mijo, estrangeira de sovaco suado, e o pior, bebês chorando.

Logo no embarque, uma estrangeira apontava para a passagem. A mulher, com uma cara de louca já falou:

- Vou sair daqui não, minha filha.

A menina que parecia um camarão, que não teve a decência de estudar o mínimo do português para entrar no Brasil, voltou com uma cara de quem não entendia. Ao lado, comentei com Luana:

- Aqui é BR. 

No final, os gringos sentaram no lugar daquela mulher de cerca de 35 anos, com três filhas. Débora, Dafne e a outra eu não lembro. Sono vai, sono vem e um cheiro absurdo.

- Mano, tem alguém com um chulé aqui. – falou Luana.

- Acho que é mijo. Na moral. – respondi.

O ônibus parou em um ponto qualquer. Desci e vi a garçonete de um bar de Paraty, que havia dado seu número para uns alemães. Eram três, um que falava bem o português e que roubou várias batatas da minha namorada. Outro que parecia ser mais gente boa e zoou o eterno 7 a 1 e mandei um longo e sonoro:

- Fuck you, alemão safado.

E o terceiro, era o mais icônico. Ele não falava nada de inglês. Mas desde que cheguei com Luana no local, não parava de encará-la. Tanto que quando começou a chover, ele ficou sondando a mesa.

Para piorar a situação, a garçonete fumava apenas palheiro. E quando entrou no ônibus, o cheiro veio com ela. O ar-condicionado que era mesclado com cheiro de mijo, ficou ainda pior. Uma senhora comentou:

- Não sei o que é pior. Esse cheiro de mijo ou essa estrangeira do meu lado. Pelo amor de deus. Ela não sabe o que é desodorante.

- Os costumes são diferentes, mãe. – respondeu a filha, que estava sentada ao seu lado.

Ok, viagem que segue. Luana pegou um tapa ouvido, e que bom que ela comprou aquilo. Os gringos falavam alto, as crianças gritavam e choravam, e os cheiros se mesclavam de forma absurdamente nojenta.

Até que um celular começou a tocar. Olhei para o lado e era a mãe barraqueira. Ouvia ela dizendo para o marido:

- Então. O motorista não aceitou o suborno. Acho que vamos de metrô. Vamos chegar lá pelas 22h.

Ela estava com três crianças e muitas malas. Queria pegar um metrô em menos de uma hora e sair da Barra Funda para a rodoviária do Tietê. Achei loucura. Mas tudo poderia piorar um pouco mais.

- Ir a pé? Será que conseguimos ir a pé?

Ligações iam e viam. O marido estava estressado e falava para a mulher atravessar a capital com três crianças e várias malas em menos de uma hora A PÉ. Não aguentei, precisei intervir:

- Moça, pega um Uber ou Táxi. Vai ficar no máximo uns R$ 40,00. A capital é perigosa à noite e simplesmente não vai dar tempo.

Ela atendeu a ligação de novo e disse que uma mulher havia dito para ela pegar um táxi. Não entendi muito bem porque ela disse que eu era mulher. Mas sinceramente, para um cara que queria que a família atravessasse uma das cidades mais perigosas do país, cheguei a conclusão que ele não passava de um machista filho da puta. E pelo visto, ela não podia conversar com outros homens.

Estava tomando alguns remédios para dores musculares. Enquanto a Luana dormia, resolvi tomar o da noite. E para foder com tudo a viagem, me entalei com o remédio. Tomei água, comi bolacha e nada.

- Lu, tô entalado. – disse.

Ela acordou, tentou me ajudar. Mas o remédio desgraçado não descia de jeito nenhum. Então comi mais algumas bolachas. Mas nada adiantou. Para quem sofre de crise do pânico, tudo é questão de “fodeu”. Comecei a ficar desesperado. Mas não disse para Luana, mas ela percebeu.

Até que no meio de tudo isso, o ônibus chegou ao seu destino. A mulher pegou um táxi, eu e Luana um Uber. Chegamos a outra rodoviária, e infelizmente a mãe icônica perdeu o ônibus, e lá estava sentada junta com as crianças, esperando o próximo horário, possivelmente no outro dia.

O que aconteceu com ela, eu não sei. Mas que essa viagem foi pra lá de inesquecível. Ah, isso foi.


Lê mais uns contos aí pô!